G.K. Chesterton, pensador conservador inglês, dizia que "o perigo
de o homem deixar de acreditar em Deus era começar a acreditar em qualquer
porcaria: o concretismo, por exemplo." Não sei como ele previu o
concretismo (delimitemos no registro do poema) já que morreu antes, em 1934;
mas estes gênios - no sentido do romantismo - têm o órgão de vidência aguçada.
Outro dia, por conta da morte do Gullar, e de uma postagem minha, houve aqui
uma arenga danada. Pois bem, volto a ela, porque a resposta boa, pra mim, só
vem depois, tenho o raciocínio lento. Na ocasião, um dos contendores. Homem
ilustre, ilustrado e indignado colocou o vídeo acima em um de seus argumentos.
Como que pra intimidar. Você sabe com quem está falando? Olha o Lattes desse
Campos. Bem, tô cagando pra isso. No vídeo, tem o Haroldo de Campos falando
umas bobagens. Sempre desconfiei que esses concretos tinham pés de barro, agora
tenho certeza. Não que eu fique julgando cada palavra de um palestrante. Mas,
quando o sabichão confunde Newton e Einstein logo de cara, depois diz que
conheceu fulana "pela primeira vez", a gente começa a desconfiar. O
vídeo só corrobora o que eu dizia, Haroldo de Campos não é poeta, o Físico aí,
o tal Menezes, durante toda a entrevista é muito mais poético que ele, ao
comparar o amor à poesia e ao trazer a lembrança de Vanzolinni, por exemplo. O
representante do poeta fica sem palavras, é um robô da poesia. Na verdade,
Haroldo é o anti-poeta, a anti-poesia. A diferença entre ele e João Cabral, é
que um é um poeta magro, econômico, revolucionário e o outro é um charlatão
rechonchudo, se passando por magro. Quer dizer que sabe de tudo, faz pose de
que sabe de tudo; mas tudo nas coxas, soltando as maiores idiotices, atolado de
leituras (superficiais, é bom que se diga) e atrofiado de sentimentos. Cabeça enorme, coração minúsculo. Cita
Pessoa, O fingidor, mas se esquece do verso "a dor que deveras
sente", porque a carapaça estética nunca deixou que ele sentisse coisa
alguma. Um poeta de sentimento atrofiado é de lascar. E o que diz sobre
Baudelaire e Mallarmé, foi dito por pelo menos uma dúzia de alemães e franceses
antes, qual é "donc" (é importante o "donc", pois é ele que
Mallarmé tenta pensar em diálogo com Descartes: Je pense, donc Je suis) a novidade? Outra coisa, esse
papo de superar o discurso: 1º - em arte não existe superação, a física quântica
pode ser mais acertada que a newtoniana; mas a pintura de Mondrian não é maior
que a de Bosch ou Goya. 2º - Nada é superado fazendo-se pior. 3º - Não
superaram o discurso, mas o inflaram, uma vez que, para que as palavras
dispersas na página fizessem algum sentido, foi necessária toda uma construção
conceitual ensaística. 4º - Quem superou a palavra, o discurso, pela via da
própria palavra, foi Clarice Lispector. A palavra é uma forma pequena para um
bolo grande demais, Clarice transformou a própria forma em bolo. Começo a
desconfiar até das traduções, os malandros diriam recriações, para que não se
possa contestar. O corvo por Fernando Pessoa, bate O corvo do Haroldo sem fazer
força. Enquanto isso, em Alepo e em outras quebradas, os pais estão matando as
filhas, antes que elas, além de mortas de qualquer modo, sejam também
estupradas, sodomizadas, torturadas. Todo esteticismo é fútil. E não me venham
falar que só a forma revolucionária faz o poema revolucionário. O poema nada pode diante do horror. Que pode uma flor diante do matadouro?
O mediador da coisa ainda é o Cortela, o dos dedinhos: "Posso, mas não quero, quero, mas não devo, devo mas não pago." E lá vem ele sério...
O mediador da coisa ainda é o Cortela, o dos dedinhos: "Posso, mas não quero, quero, mas não devo, devo mas não pago." E lá vem ele sério...


