O lago é a meditação da água. Ele, todavia, era inquieto; de modo que dirigir. Naquela manhã, no entanto, não podia libertar. Não curtia o ressentimento, nem por isto conseguia. Não se queria expor na prateleira. O que não significava que não quisesse ser. Lembrava o pai, pedreiro, que enchia o peito e sorria ao encerrar uma obra. "'É o melhor pedreiro de São Miguel, Itaim, Guaianases e região!" E a alegria da mãe quando elogiavam sua comida? Não era diferente do pai quando assentava um tijolo, ou da mãe quando picava a cebola em quadrados minúsculos. O zelo com o que fazia era o mesmo. Para tudo o mais - ganhar dinheiro, pagar contas, andar de ônibus, comprar pano de chão, assinar contrato - era inútil. Só sabia emendar palavras, mas precisava pagar. Alguém acenderia lâmpada para esconder embaixo da cama? Haveria ali alguma lâmpada de fato? Duvidava. Revoltava-se. Voltava a ser apenas humano. Fraco. Insatisfeito. Semi-mesquinho. Andava querendo acabar com tudo; só que o trânsito. No semáforo, uma velhinha com os dentes enferrujados, vendendo doce de abóbora em forma de coração, daqueles que já não se vêem por aí: "E o seu sorriso de menino? Quantas vezes se escondeu? É por conta, faz falta não, pega!" E era Deus ali, fantasiado de necessitada. Luz verde, o trânsito andando e a vida era isso aqui mesmo e não aquilo lá com o que sonhava. Sem cavar dualidade. Sem criar resistência ao que é. Seja feita a Vossa vontade. Torna, no entanto, nossa alma dócil, Senhor, de modo que sejamos macios ao nosso destino.
Ensina-nos a parar de doer
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