quinta-feira, 22 de outubro de 2020

BELO HORIZONTE

De repente, é o martelo quem maneja o braço. E o teclado quem digita a mão. Se a técnica é um modo de o próprio Ser se desvelar. O que se esconde, sob as ruas e avenidas da cidade, já não é só a nascente, mas o próprio rio. Quando, no entanto, a tempestade faz visita. O rio encalacrado fratura o asfalto que o oprime. O que é isso de ser gente?

Recuar.
Aquilo que recua, no entanto, não é a água, mas a armadura
Ser humano é entregar-se ao vazio
Para ser passagem de amor
Nenhuma engenhoca substitui o rosto do filho ou o colo da mãe
O afeto não pode ser produzido em série
- Que eu não exista mais como homem, apenas como vazio e lâmpada.

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