Vou entregar geral. É sempre assim. Vou visitar a mãe e, depois de me abençoar, ela começa: "Não sei mais o que fazê com esse véio, deve tá caducando..." E, aí, joga pra cima do pai as presepadas em que ela mesma se mete. É uma véinha muito esperta. Braba. Metro e meia de violência. Já apanhei muito nessa vida pra aprender a ser gente. Uma vez, me fez voltar na venda do Zé da Tina com a panela cheia de torresmo pra trocar porque não tava cheirando bem. Dia de feira. Domingão. Mó vergonha aí. Brabona mesmo; mas também é fácil de levar no bico. Basta elogiar. Dizer que tá certa e tudo mais. Aí ela derrete. Uma vez, uma colega do Júlio Tupi indicou um tapeceiro pra consertar o sofá. O cara chegou cheio de sotaque, todo carioca, analisou o sofá, colocou nível, fita métrica, etc e tals e, então, elogiou
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
QUANDO A MÃE REFORMOU O SOFÁ
Um mês depois, o sofá voltou. Cheio de selvas estampadas. A mãe fez uma careta; já tinha pago. Colocou o sofá em L; de um lado; de outro. Mudou os móveis de lugar. Tentou de tudo, mas o suede-oxford-tricoline da Pérsia Ocidental era um horror! A gente só não riu pra não apanhar. Não passou uma semana, a estrutura magnífica arriou:
- Aquele corno deve ter trocado meu sofá. Fi duma égua! - Virou pro pai: - Por que tu não me alertou, Dó?
Dia seguinte, foi à Marabraz e abriu novo crediário. Ainda ganhou um relógio de parede novinho; do Zezé di Camargo e Luciano
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