Acordei
alegre e, para corroborar tal afeto, espinosanamente, procurei outros corpos
que me aumentassem a potência, a força de agir. Antes, porém, resolvi cuidar de
mim. A vaidade é um dos meus defeitos, reconheço. Saí cedo de casa. O Caçador
estava lá. Como eu estava contente, encarei-o. Se ele portava armas, não
demonstrou. Cumprimentou-me tirando o chapéu e mostrando a careca. Retribuí ao
aceno e segui meu caminho rumo ao barbeiro. Eu pintaria o cabelo, uma cor
elegante: acaju e, mais, tinha deixado o bigode também e agora o tingiria da
mesma cor. Paraíba, meu barbeiro, um senhor de setenta e tantos anos que
passara a vida inteira pecando e agora tinha se convertido à Igreja Universal
do Reino de Deus, advertiu:
-
Rapaz, tu és doido. Acho que num fica bom não, hein, macho, pintar o cabelo
assim... de acaju.
-
Paraíba, vê se faz aí umas mechas ao menos. Tenho duas namoradas e uma delas
tem vinte e poucos anos. Não posso ficar junto delas com os cabelos brancos,
parecendo o Papai Noel.
-
Que é isso, macho? Duas?
-
Pois é, meu amigo, mamãe passou açúcar em mim.
-
Nos meus bons tempos, eu tinha umas cinco, mas nenhuma sabia da outra, num
sabe? Depois aceitei Jesus... Acho que tu devias fazer o mesmo. A gente não
sabe quando o Cristo vai voltar. O reino dos céus vai vir que nem um ladrão na
noite.
-
Mas, Paraíba, meu amigo, com todo respeito. Se no céu só tiver crente, meu
irmão, melhor nem ir pra lá. Já imaginou o povo o dia inteiro cantando: “para
nosssssa alegria!” Dá não, meu velho.
Ele
riu, enquanto besuntava os meus cabelos com a tinta.
-
Mas me diga aí, seu cabra, você dorme com as duas de uma vez?
-
Peladão, aí, durmo no meio. De vez em quando, acordo de noite e mamo um pouco
os seios de uma, beijo a xana da outra. Assim, sem perceber, já estamos todos
lambuzados de novo. Igualzinho a esse meu cabelo aí. Diz aí: tem paraíso mais
paraisozo que esse?
- Ê, tem não, cabra. É bom demais,
num é? Sou franco em falar, mas isso não me pertence mais. Tô salvo, varão. Ô
glória!
-
Aleluia, Paraíba, mas diz aí? Vai demorar muito?
-
Uma horinha. Se avexe não, macho!
Acabei
demorando mais de duas horas no barbeiro, mas gostei do resultado. Nem Belchior
era amante latino mais sensual que yo.
Eu
tinha combinado de me encontrar com as meninas durante a tarde. Elas não
estavam a fim de sair naquele final de semana. Prefiro assim. Como o filho da
Duda estava com o pai, tínhamos a casa inteira só para nós. No caminho, passei
num sex shop e comprei uma fantasia de policial com quepe, óculos escuros,
algemas e a porra toda. Fui para a casa da Duda já vestido. Perigoso e sensual.
Nesse mundo não tem professor pra matéria do amor ensinar. Não basta só fazer
amor, se a gente também pode gargalhar junto.
Quando
chamei no portão, não me reconheceram. A Duda saiu e, quando percebeu que era
eu, foi logo rindo.
-
Mas que diabo é isso, Dan? – perguntou enquanto abria o portão.
-
Meu nome é Stevie, por favor me chame pelo nome, senhora.
-
Pintou o cabelo, o bigode... Agora endoidou de vez, ora pois!
-
Mais respeito com a autoridade, senhora.
Anabela,
quando me viu, não pôde acreditar. Ria tanto que as lágrimas escorriam dos
olhos.
-
Bem, meninas, já vi que nessa residência, vocês não têm qualquer respeito pela
autoridade. De modo que vou ter de deter a ambas para averiguação. Se continuarem
com o desrespeito, serão autuadas por desacato.
-
Mas que fantasia mais chinfrim, hein! Parece o guarda Belo. Não tem vergonha de
sair com essa roupa na rua?
Continuei
com a brincadeira. A fantasia era deveras um desastre.
-
Porra, meninas, vocês vão ter de entrar na brincadeira; caso contrário, não vai
rolar.
As
duas se controlaram um pouco, conseguiram conter o riso.
-
Tudo bem, o que é que a gente tem de fazer? Você também não explica, porra! A
gente não sabia o que falar.
-
Seguinte, eu vou chegar como se fosse um policial de verdade. Vou dar ordem
para as duas se encostarem na parede pra eu revistar. Nesse momento, Anabela,
você passa a mão no meu pau por cima da calça e diz: “Nossa, policial, para que
essa pistola tão grande? Tipo Chapeuzinho e Bobo Mau, sacou?”
-
Tudo bem, então vamos ter de mentir também; porque, pra dizer a verdade, não é
nada grande – disse Duda e voltou a gargalhar.
-
Porra, Duda. Não é grande, mas aí, é cabeçudo. Diz aí...
-
Coitado.
Voltamos
com a encenação. Quando Anabela passou a mão pelo zíper, eu já estava com o pau
latejando de duro. Ela abriu a braguilha e pegou meu pau, puxando, em seguida,
a cabeça rosada para fora.
-
Hum, que pistolão, oficial!
-
Nossa, Stevie, que cassetete!
Elas
tornaram a rir. Eu, entretanto, mantive-me sério. Não brinco em serviço!
-
Ponham na boca... Engulam... Não se envergonhem...
As
duas línguas se revezavam sobre minha pica; às vezes as bocas se beijavam sobre
a cabeça. Paraíso, que paraíso? De repente, virou putaria, elas nem riam mais.
Tiraram as roupas. Eu coloquei as duas no sofá com as pernas abertas e fiquei
louco, que nem cachorro novo, pulando de uma xana para a outra. Não conseguia
me concentrar numa só. Fartura, teu nome é amor! O quepe estava torto na minha
cabeça; os óculos escuros, dependurados na orelha. Arranquei o uniforme e me deitei
no sofá. Então uma delas se sentou no caralho, enquanto a outra sentou com a
boceta na minha boca. Brincamos assim por um bom tempo, depois as meninas
trocaram de lugar. No meio da foda, eu tinha de pensar em outra coisa. Se
ficasse concentrado, gozava na mesma hora. Tinha de me distrair um pouco e
depois voltava. Então as minhas companheiras se encaixaram num meia nove, a
Anabela por cima. Empurrei o pau e ele escorregou gostoso. De vez em quando,
tirava da boceta da Anabela e colocava na boca da Duda. Aí fiquei maldoso.
Tirei o pau e lambi com força o cu da Anabela. A menina gemeu. Cuspi. Passei o
dedo. “Vou tentar!” Pensei. Se ela reclamasse, eu parava. Para minha surpresa,
quando enfiei a cabeça, ela gemeu. Empurrei mais um pouco – é preciso carinho
quando se está comendo um cuzinho; se forçar, machuca, ainda mais um rabinho
apertado como aquele – ela relaxou, aceitou a pica. Passando a cabeça, o resto
escorrega. A própria Anabela arrebitou a bundinha dura e empurrou para trás.
Enquanto isso, a Duda, garota esperta, chupava o clitóris. Quando estava tudo
dentro, a coisa ficou fácil. Segurei a danada pelo cabelo e soquei até o talo.
Ela rosnou, gemeu, pulou. Mandei brasa. Não foi preciso muito. Em pouco tempo,
Anabela gozava.
-
Quero que você encha a cabeça da minha pica de merda, safada – falei.
E
aí ela recebeu com força.
-
Vou encher seu cuzinho de porra. Aperta o rabinho no meu pau!
-
Vai, vai, vai.
-
Vou, vou sim, gostosa.
Ela
gritou, tremeu, suspirou. Eu também gozei e, depois, deixei o pau
descansando... Porra de amor escorrendo pela bunda dela depois, descendo pelas
pernas... E Anabela chorou. Teve uma crise de choro. Caiu de lado e colocou o
travesseiro no rosto... Coitada da Duda, só ela não tinha gozado. Eu, porém,
sou um homem honrado. Não deixaria a menina na mão. No amor há uma única regra:
não se pode ter prazer sem dar prazer! De modo que caí de boca, mesmo esgotado.
Um bom oficial não foge ao seu dever. Não precisei chupar muito para a Duda
gozar também. Ela estava excitada. Quando gozou, não tirei a boca, continuei
mamando até ela não aguentar mais, apertando os bicos dos seios com as mãos...
-
Pode gozar, safada, goza que eu quero engolir todo seu gozo... Enche minha
boca... – sussurrei.
Gozou
e, ao contrário da Anabela, teve uma crise de riso. Como é leve o semblante de
alguém que acabou de gozar! Uma ria e a outra chorava. Depois inverteram os
papéis, chorando e rindo, e se abraçaram. Eu fui ao banheiro tomar um banho.
Estava todo melado. Nada como a criatividade na hora do amor.
