Quando
eu for velho e sábio,
Quero
me lembrar das agruras da vida com um sorriso nos lábios;
A
vontade de competir, que me impele à batalha, já não será um fardo,
E
vou olhar a vida sabendo que ela é o caminho e não o pódio.
Quando
eu for velho e sábio,
Vou
me lembrar do ímpeto da juventude,
E
cultivar uma orquídea em homenagem a cada mulher que amei.
Meu
sexo será calmo e escasso,
E,
por isso mesmo, celebrado como a vitória sobre um vício.
Quando
eu for velho e sábio,
Quero
crianças por perto,
Pedindo
doces, fazendo barulho, roubando a paz...
Quero
ler textos sagrados, cultivar barba branca e adquirir lanterna e bastão.
Quando
eu for velho e sábio,
Minha
voz terá um tom mais suave,
E
as paixões serão flexíveis como um broto de bambu.
Quando
eu for velho e sábio,
Quero
me despedir da vida como o som de um grande sino:
Suave,
lento, distante, gradual, sincero, ondulante.
No fim, indiscernível do silêncio.
No fim, indiscernível do silêncio.
Quando
eu for velho e sábio,
Vou
encarar a morte como uma longa noite de sono,
E
olhar meu corpo flácido como última cela
Para
afectos, perceptos e ideias que agora vão morar em outros corações.

