sábado, 28 de julho de 2018

AS CRIANÇAS DA NOVA FLORESTA

Lugar de fala. Agora é moda; mas há no mundo uma espécie de seres que habita lugar nenhum. Tais seres não podem dizer: sou lacaniano, freudiano, deleuziano, nietzschiano, negro, branco, binário, não binário, etc, etc, etc... Os habitantes do não-lugar estão no mundo, só que não nasceram. Foi-lhes negada a entrada. Olham a vida como através da vidraça. Enquanto as outras crianças brincam no jardim, ela, a criança da nova floresta em crisálida, observa sem poder sair do castigo. De noite não consegue dormir; de dia, não pode acordar. Também não pode cometer suicídio, uma vez que sequer chegou a nascer. É um duro aprendizado. Muitas vezes, estas crianças vão parar nos presídios, nos manicômios, nas clínicas de recuperação... São incapazes de dizer eu-meu e de realizar qualquer tarefa, falta-lhes pele para encarar o cotidiano... Simplesmente não se encaixam. E, no entanto, são justamente esses seres que carregam o resquício do espanto, do mistério; são eles os portadores de uma palavra originária, vinda de outro lugar - Win Wenders os viu como anjos. E, quando abrem a boca, essas crianças, tudo o que dizem é vivo. Se não morrem muito cedo, compreendem melhor o vazio e o aceitam. Percebem que O VAZIO NÃO É NIILISMO, mas a própria face do ser! Um ponto de pura potência, serenidade, alegria. Esta é a grande descoberta! O ponto de viragem! E é aí que se entendem e adentram, aos poucos, a vida; na maioria das vezes, já com mais de trinta, quarenta, cinquenta anos. Nietzsche se despede de Schopenhauer. Tornam-se então bons ouvintes, excelentes conselheiros; não conseguem dizer o óbvio e se fundem ao outro, porque não estiveram antes em lugar algum, mas em todos os lugares. São incapazes de julgar, porque não têm paradigmas e as pessoas ficam à vontade diante deles, e eles viram psicólogos, escritores, professores. - O Deus escriba do Mahabharata, Ganesh, era um elefante e, como todo elefante, tinha orelhas grandes para ouvir melhor. – Tendo suportado o pior dos sofrimentos, são capazes de entender todas as dores e acolher ao que sofre. Para aquele que geme, o habitante do não-lugar é agora o irmão mais velho em cuja mão confiamos para nos ajudar a atravessar a turbulência.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

O esquecimento é um duro aprendizado


O esquecimento é um duro aprendizado, mas a gente não começa a sentir paz até aprender a esquecer. Como esquecer uma humilhação? Uma humilhação daquelas que  marca a alma da gente feito ferradura? Sofrida, esta humilhação, ainda, talvez, na infância. Lembro que Freud lutou a vida inteira com a imagem do pai sendo humilhado por um soldado alemão; quando ele, o futuro pai da psicanálise, era só um pirralho catarrento. Tenho uma amiga que aparenta ser muito forte. Sabe comandar. É responsável. Cuida da família e do trabalho; mas, eu, quando olho pra ela, me pergunto: será que está em paz? Não sei os caminhos pelos quais ela teve de passar. Imagino a infância pobre, pobre. Os sofrimentos. As roupas simples, limpas, mas remendadas... A boneca de sabugo de milho. Ela constituiu identidade ao redor da ferida, não sucumbiu a ela é certo. Tornou-se forte. Colocou a armadura. Jurou que nunca seria humilhada outra vez. Não queria lembrar a terra empoeirada, a água-esquitossomose, o rio cortando a cidade. Cresceu, estudou, trabalhou, ganhou dinheiro, cargo de chefia, respeito. De qualquer modo, quando alguém luta uma vida inteira assim é impossível ser feliz, porque somos aquilo contra o que nos insurgimos. Dar ordens é uma forma de negar o que dói, de negar a mágoa. É uma delícia esconder-se, mas é uma tragédia não ser encontrado. No fundo, minha amiga anseia alguém que descubra a ferida, e acolha a dor, e assopre, e apague a mágoa. Isso que ela esconde é o que ela mais quer que alguém entenda, sem julgamentos. No entanto, algo assim tão íntimo, tão profundo, não pode ser entregue de bandeja pra qualquer um, pra alguém que possa humilhá-la mais uma vez. Ela só mostraria a ferida para alguém em quem tivesse plena confiança. E é tão difícil confiar em alguém, não é mesmo? A gente segue pela vida sem conseguir esquecer e, se não esquecermos, corremos o risco de correr a vida em vão. Quando a morte chegar, a gente pode perceber horrorizado que perdeu a vida por causa de uma chaga que infligiram na nossa carne muito tempo atrás. A gente alimentou a pereba e só. Queria dizer pra minha amiga que ela não é a ferida. É só deixar de arrancar a casquinha que a coisa cicatriza. Se a gente não consegue perdoar, é preciso ao menos aprender a esquecer. Porque, caso contrário, ficamos rabugentos, dizendo coisas do tipo: de que adianta a lua vermelha, o eclipse bonito, o sol, o mar, a criança, se eu estou com dor? Quando a gente está sofrendo não consegue nem curtir um dia bonito.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

NOTAS SOBRE O ROMANCE - III

Por que continuar escrevendo romances depois de Dostoiévsky, Emily Brontë, do Machado, do Rosa? Simples, porque a vida continua, porque ela, a vida, extrapola as palavras; mas, ainda assim, as pede. O sol é o mesmo que iluminou Cervantes em Espanha, Fitzgerald na América de 1920 e, de qualquer modo, é outro. A única novidade é o sol e o que se repete é a forma vazia do tempo em outros corações.
CAEIRO:
“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”
A travessia é semelhante, mas cada vida carrega uma nuance, a qualidade de ser única, como a forma de uma nuvem que não se repete jamais, ainda que outras nuvens se formem. Escrevo para dar o testemunho da minha perplexidade e de minhas incertezas diante do mundo que se revela diferente a cada manhã. Sem a palavra, não dou conta. Outros fazem simpatia, rezam, caminham no parque, vão à Igreja...

domingo, 22 de julho de 2018

NOTAS SOBRE O ROMANCE – II


Há quem aponte o início em Dafnis e Cloé, na literatura inglesa do século XVII; vejo a gênese no Quixote. O romance; que é um romance? E mais, que é um romance hoje? A mais amorfa das formas, a romanesca, agrupa em seu interior textos tão distantes quanto Graça infinita e Pedro Páramo. É certo que é um texto relativamente longo, o romance, com vários pontos de ação – e a ação aqui tanto pode ser exterior como em Robson Crusoé, ou On the road; quanto interior como em Mrs Dalowey, ou Perto do coração selvagem - sentir é uma forma de ação. É certo que demanda determinado período de tempo, o qual também pode ser exterior ou interior. Um bom exemplo do primeiro são as epístolas datadas do Drácula de Bram Stocker; do segundo, Ulisses, cuja ação se condensa no tempo de um dia. O romance, como os demais gêneros literários, mudou muito ao longo da História: o enredo já foi considerado o centro, a característica mais importante; o enredo já foi deixado de lado. O espaço já foi percorrido no mundo, como em Melville, Kerouac, etc; mas também nas entranhas do ser: Virgínia Woolf, Clarice. O tempo: interior, exterior, como já dito. As personagens já foram investigadas desde o espaço exterior, Hemingway, quanto interior, Lúcio Cardoso. O narrador já foi um defunto, um Deus, a morte, autodiegético, homodiegético, heterossexual, em 1ª, 2ª e 3ª pessoas, definido, indefinido. A linguagem já foi chapada, seca, elevada a enésima potência, coloquial, formal... E tudo isso, no romance. O melhor de todos já realizado, onde todas estas características caminham em perfeição: O grande sertão: veredas. O tempo, tempo da tragédia, tanto interno quanto externo. O enredo, vocês sabem, o amor entre dois jagunços e no final um deles é Diadorim. O narrador? Riobaldo. Personagem: Diadorim. O espaço? O coração do homem e o sertão. A linguagem: Guimarães Rosa.
O romance é travessia, mosaico, caminhada... Mistura de poesia, crônica, ensaio, conto, aforismo. O mais híbrido dos gêneros. Percebo nos romances de hoje a tendência à síntese, à busca do enredo enxuto, na esteira de Hemingway e do noveau roman de Robbe-Grillet. Não caberiam, nas grandes casas editoriais contemporâneas, as digressões de um Machado, em Brás Cubas, de um Sterne, não caberiam as reflexões filosóficas de um Dostoiévsky, muito menos de um Musil; não caberia a proliferação linguageira de um Céline, um Proust. Enfim, tudo o que fez a grandeza histórica do romance não caberia num romance hoje. Eu creio no romance como espaço da total liberdade. Já sigo regras demais no meu cotidiano. Não enfio falas na boca dos meus personagens, mas falo quando tenho vontade. Existe ficção maior que a mão que escreve? Nunca sei quem narra, persigo a palavra. Quando entro no rio, entrego-me à correnteza. Escrevo romances para ser livre em algum lugar e os leio para alargar um pouco as margens da vida.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

NOTAS SOBRE O ROMANCE - I

Acho que foi Walter Pater quem disse que a poesia é a mais sublime das artes escritas, mas o romance é a mais difícil. Tendo a concordar com ele e explico o porquê. No país da escrita, o poema é como a paixão, ao passo que o romance é como o amor; o poema é assim como um encontro, ao passo que o romance é o casamento. É um trabalho contínuo, tenaz, diário - o romance. Há dias em que as palavras brilham, que sentimos estar em contato com algo pulsante que se escreve por si só. Há outros dias em que parecemos um funcionário de escritório, colocando apenas as tarefas adiante. Essa mistura de sagrado e de banal se revela também no texto e, por isso, o romance, ainda mais que o conto, é o gênero literário mais próximo da vida real. Nele coexistem os momentos luminosos da travessia, como o nascimento de uma criança, o desabrochar de um amor, a morte de um amigo; mas cabem também os momentos mais corriqueiros que constituem boa parte da travessia: a jornada de trabalho, o cafezinho no boteco da esquina, o pão de queijo, os boletos bancários; as coisas mais pueris e as mais elevadas lado a lado, como na vida. O poema crava os dois pés no transcendental; o conto trata apenas do momento luminoso; já o romance é essa mistura de deuses e fezes, de cores e poeira; de Iluminação e burocracia. No meio do caminho, duvidamos de nossa capacidade, pensamos em desistir, ficamos enjoados, enojados, um do outro, nós e o texto. Como menino sobre bicicleta, só há uma coisa a fazer: seguir adiante. Tanto no poema quanto no conto, aquele que escreve não tem tempo de duvidar. Escreve-se com o gosto do início e todos os começos são joviais. O romance acolhe a dúvida, arrasta-se, aceita a crise, e então, um belo dia, por conta própria, as palavras tornam a brilhar. Na luta de boxe de Cortázar, marcamos mais um ponto importante... Ganhamos fôlego para mais algumas páginas. Entre montanhas e vales, seguimos sem parar e um dia, como na vida mesma, encontramos o ponto final entre os pontos finais. É mais um bloco de vida terminado, um monólito largado no mundo. Alívio!

quarta-feira, 18 de julho de 2018

PIMENTA


Confesso, é um alívio ouvir o Vladimir Safatle no jornal da Cultura. Muito melhor que perder tempo ouvindo o barulho do Villa ou do Pondé. Por outro lado, há momentos em que penso como Maradona; o qual, ao ser perguntado sobre para quem torceria num jogo entre Brasil e Inglaterra, respondeu: “Que percam os dois!” Digo isso a respeito do comentário do professor ao final do programa. Depois de ser exibida uma reportagem sobre o assassinato dos Romanov, Safatle comentou que os Romanov é que eram o problema; como se, em nome de um Bem maior, fosse justificável o assassinato, inclusive das cinco crianças. Não se faz uma omelete sem se quebrar alguns ovos, não é mesmo? Ainda para justificar que o Czar e sua família eram o grande problema da Rússia, Safatle disse que o Comunismo em 25 anos colocou a antiga URSS entre as potências do mundo. Argumento completamente estúpido, visto que Hitler e o Nazismo fizeram o mesmo e em muito menos tempo. Sem falar na morte em série dos anarquistas depois da Revolução, na tortura e prisão de um bocado de poetas e artistas... Às vezes, tento vislumbrar uma terceira via, mas vejo que as discussões, no mundo real, mesmo entre a chamada elite cultural ainda é a mesma de cem anos atrás: um mundo em preto e branco, sem nuances. Eu NÃO estou disposto a abrir mão da liberdade em nome da igualdade (o comunismo real); nem a abrir mão da igualdade em nome da liberdade (o capitalismo)... Enfim, vou me inclinando mais à esquerda, sem me esquecer das ressalvas.
No mesmo jornal, passou uma reportagem sobre turistas que se feriram ao tentar ver cenas da erupção do vulcão Kilauea. Os seres humanos, por vezes parecem pulgas e carrapatos, podem transmitir muitas doenças, até mortais, para o hospedeiro; mas, basta uma chacoalhada do planeta-cadela, que as pulgas: Trump, Putin, Temer, etc e tals com suas intenções, suas questões, seus interesses mesquinhos, vão pelos ares. è de uma ingenuidade perigosa tremenda e perigosa essa turma achar que tem alguma importância. Eu sigo é o TAO.


segunda-feira, 16 de julho de 2018

UM TOTEM SEM TABU

Li O senhor das moscas e gostei, mas discordo do livro. A meu ver, não sei se de modo intencional, o enredo do romance dialoga diretamente com o mito freudiano de Totem e Tabu; mas, aqui, trata-se de um totem às avessas. Enquanto que, para Freud, o totem representa o pai morto e instala o tabu do incesto e o nascimento da cultura; no romance de Golding, o totem representa a própria morte da função paterna e da cultura. Na distopia de Golding, a morte da função paterna seria a morte da cultura e um retorno-viagem a uma espécie de barbárie pós-cultural. Em Freud, o totem instaura a Lei, em Golding, o totem abole a Lei. Para o primeiro, se Deus está morto, nada é permitido; para o segundo, se Deus está morto, tudo é permitido.
Como ficção, ambas as obras são válidas; como genealogia da cultura, não. Estou um pouco cansado do pessimismo. Resolvi mudar o olhar. Deu trabalho, mas consegui. E as visões, tanto de Freud quanto de Golding, são pessimistas demais para o meu gosto atual. À Freud, faltou a lição do perspectivismo nietzschiano, sua ideia de cultura é tautológica, monótica. Sem sair de seu lugar étnico e cultural, Freud propõe um início edipiano, para variar, que seja universal; mas que, em verdade, é só o início do Patriarcado. Há muitas culturas em que quem manda na parada é uma Deusa e não um Deus; uma mãe e não um pai; e, mesmo o núcleo familiar, em muitas tribos, é dispensável. A visão de Freud, com a qual Golding parece dialogar, vem de Hobbes, Schopenhauer etc e tals... Ela enxerga apenas um lado do ser humano e o vê como motor universal: o homem é mau por natureza e a cultura coloca-lhe rédeas para a sua própria sobrevivência. Na minha própria caminhada pela vida, vi que o ser humano não é só bom, nem só mau por natureza. É uma mistura confusa das duas coisas. Em São Paulo, um homem de passado duvidoso entra em um prédio em chamas para tentar salvar desconhecidos e acaba morrendo quando o prédio desaba. Nos States, o país do pai, centenas de bombeiros entram numa torre na mesma situação para fazer o mesmo... O ser humano é o único animal capaz do sadismo; mas também o único capaz da graça. E o único animal que sente prazer ao ver outro animal, da mesma espécie ou não, ser torturado; mas também é o único capaz de dar sua própria vida para salvar uma criança desconhecida. Quando o assunto é gente, não há fórmula universal.
O paradigma patriarcal não é o único, é só um entre outros: o vitorioso. Não é à toa que Freud não entendia o que queriam as mulheres. Sinto que, aos poucos, estamos construindo um novo paradigma mais ligado ao feminino, à empatia, ao cuidado, à responsabilidade pelo outro. É um trabalho longo e árduo e quem sabe se, ao findá-lo, não poderemos instalar um novo totem que simbolize a mãe, o seio, o amor; no lugar de uma cabeça de porco apodrecida?

quarta-feira, 11 de julho de 2018

NOTA SOBRE MEDITAÇÃO

Os dias mais tenebrosos que atravessaram na caverna, os meninos do time Javalis Selvagens permaneceram em silêncio, meditando. Existem múltiplas técnicas de meditação, mas todas elas buscam silenciar os pensamentos, encontrar a paz. O teatro freudiano de Édipo começa quando a criança percebe que há um eu, um pai, uma mãe; mas, muito antes disso, já havia a vida. A meditação nos leva ao centro da Vida e só a Vida pode curar a vida. O básico, de todos os métodos, consiste em observar os pensamentos. É como se, em vez de virarmos os olhos para fora, voltássemos para dentro, observássemos o que se passa com nossa respiração, com nosso corpo e pensamentos. Não há necessidade de julgamento, porque o julgamento é ainda uma formação do eu e o eu é algo cultural, criado de fora para dentro pelo próprio pensamento. É difícil para nós, ocidentais, nascidos no seio do cogito cartesiano compreender que não é o eu que engendra o pensamento, mas o contrário. O simples fato de estarmos atentos, de observarmos o que se passa no nosso interior, faz com que as muralhas caiam. A meditação não está necessariamente ligada a qualquer religião; ela, no entanto, nos religa ao fluxo vital. Há, na própria Bíblia Sagrada, uma flor que aponta para a meditação. Trata-se da passagem do livro de Josué sobre o cerco de Jericó. Durante seis dias, o povo israelita permaneceu em silêncio ao redor da muralha e, no sétimo dia, ao gritarem, a muralha caiu por si mesma. Ao observarmos nossos problemas, nossas muralhas internas, nosso ego, tudo isso se enfraquece e, com o tempo, desmorona. De acordo com um koan, espécie de enigma zen, olhamos outra vez e notamos que o ganso está fora da garrafa. Há algo para além dos sentidos e da razão que nos chega na forma de Intuição – Bergson percebeu isso -, mas a Intuição só se nos dá quando estamos vazios, silenciosos, atentos à sua voz. Sexo e meditação são folhas da mesma árvore e todas as folhas são do vento.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ménage à trois - trecho

Elas gargalharam e continuamos com o jogo. Como é bom e saudável brincar de médico. Boca daqui, boca de lá, seios contra meu peito, seios contra minhas costas e mãos que me acariciam o saco, e dedos que entram e saem manchados de mel. Eu parecia um menino em loja de brinquedo, criança em doceria, não sabia quem beijar, quem chupar, quem lamber primeiro. A flor do desejo e do maracujá, eu também quero beijar! E quando eu pus o pau na xoxota da Anabela, ele escorregou como se fosse sugado. Difícil é segurar o gozo numa hora dessas. A língua da Duda se revezando entre meus mamilos e o clitóris da Anabela. E, então, tirar de dentro de uma, esticar o couro, libertar a cabeça dura e enfiar no corpo da outra; sem deixar de dar atenção aos seios excitados que me invadem a bocam e mudam de posição e tornam-se clitóris. Gostinho de café e gozo. E, aí, mudar de posição, mais, assim, para evitar o gozo que para experimentar novo prazer.
— Estou quase gozando! – alguém geme.
— Goze!
— Segura mais um pouquinho.
E vamos assim, afinando a orquestra, ganhando entrosamento, atacando com coesão, os três na mesma afinação, no mesmo instante; até que gozamos, os três juntos, dentro e fora e do lado. Perdido nas tramas do desejo e porra de amor escorrendo entre coxas, nádegas e barrigas.