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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

GERAES

"Ela tinha os cabelos raspados. E as asas tatuadas nas costas, muito mais que questão estética, pareciam uma reminiscência do céu. Quem olhasse uma única vez, perceberia que ela não era daqui. Não digo desta cidade entre montanhas e vales que bem poderia ser uma dessas cidades do sul de Minas com nome de mulher: Cristina, Virgínia, Cruzília... Dizendo que não era daqui, quero dizer que ela não era deste mundo. Tinha um quê de anjo, de onça machucada, de touro ajoelhando, de passarinho molhado, só, perdido do bando. Havia anos que partira para as capitais com o intuito de cantar. Passou por Belo Horizonte, Rio, São Paulo, Florianópolis... Cantava músicas aqui da terra onde nasceu que é o mesmo que cantar canções universais. O lugar da nossa infância é um símbolo do mundo. Também cantava jazz, bolero, coisas suas... Quando cantava, sentia-se. Estava para o que era. Ficava curada. A boca gritava uma corrente elétrica cheia de raiva-amor-ternura-delicadeza-fúria-ódio-flor-força-desespero. A garganta era muito mais passagem que porto. Não ligava para a parte técnica, embora ela estivesse lá; e sorria quando alcançava as notas mais difíceis untando-as de sentimento. Considerava aquilo um desafio diante de toda a raça humana. O segredo era respirar com o coração. O Bem-te-vi não lê partitura e, no entanto, entoa muito bem o seu refrão. Era gente? Bicho triste? Anjo? Mistura de touro e beija-flor? Energia iluminada, isso é que sim... Quando fechava a boca, no entanto, não tinha lugar no mundo, não cabia na vida. Brincadeira de criança; era como se a vida fosse uma cavidade redonda e ela um pino quadrado. Já que ninguém pode cantar vinte e quatro horas por dia, trezentos e sessenta e cinco dias por ano; na maior parte do tempo, ela doía: um filhotinho de porco-espinho parecido com todos os outros, mas seu couro, feito manto de Deusa-mãe, fora vestido ao avesso. Alma cuja boca Deus beijou."
O trecho acima é o primeiro parágrafo do romance GERAES, PARA FAZER DOWNLOAD DO TEXTO COMPLETO, CLIQUE AQUI.



sábado, 18 de agosto de 2018

MÉNAGE À TROIS CP. 22


 Acordei alegre e, para corroborar tal afeto, espinosanamente, procurei outros corpos que me aumentassem a potência, a força de agir. Antes, porém, resolvi cuidar de mim. A vaidade é um dos meus defeitos, reconheço. Saí cedo de casa. O Caçador estava lá. Como eu estava contente, encarei-o. Se ele portava armas, não demonstrou. Cumprimentou-me tirando o chapéu e mostrando a careca. Retribuí ao aceno e segui meu caminho rumo ao barbeiro. Eu pintaria o cabelo, uma cor elegante: acaju e, mais, tinha deixado o bigode também e agora o tingiria da mesma cor. Paraíba, meu barbeiro, um senhor de setenta e tantos anos que passara a vida inteira pecando e agora tinha se convertido à Igreja Universal do Reino de Deus, advertiu:
            - Rapaz, tu és doido. Acho que num fica bom não, hein, macho, pintar o cabelo assim... de acaju.
            - Paraíba, vê se faz aí umas mechas ao menos. Tenho duas namoradas e uma delas tem vinte e poucos anos. Não posso ficar junto delas com os cabelos brancos, parecendo o Papai Noel.
            - Que é isso, macho? Duas?
            - Pois é, meu amigo, mamãe passou açúcar em mim.
            - Nos meus bons tempos, eu tinha umas cinco, mas nenhuma sabia da outra, num sabe? Depois aceitei Jesus... Acho que tu devias fazer o mesmo. A gente não sabe quando o Cristo vai voltar. O reino dos céus vai vir que nem um ladrão na noite.
            - Mas, Paraíba, meu amigo, com todo respeito. Se no céu só tiver crente, meu irmão, melhor nem ir pra lá. Já imaginou o povo o dia inteiro cantando: “para nosssssa alegria!” Dá não, meu velho.
            Ele riu, enquanto besuntava os meus cabelos com a tinta.
            - Mas me diga aí, seu cabra, você dorme com as duas de uma vez?
            - Peladão, aí, durmo no meio. De vez em quando, acordo de noite e mamo um pouco os seios de uma, beijo a xana da outra. Assim, sem perceber, já estamos todos lambuzados de novo. Igualzinho a esse meu cabelo aí. Diz aí: tem paraíso mais paraisozo que esse?
            - Ê, tem não, cabra. É bom demais, num é? Sou franco em falar, mas isso não me pertence mais. Tô salvo, varão. Ô glória!
            - Aleluia, Paraíba, mas diz aí? Vai demorar muito?
            - Uma horinha. Se avexe não, macho!
            Acabei demorando mais de duas horas no barbeiro, mas gostei do resultado. Nem Belchior era amante latino mais sensual que yo.
            Eu tinha combinado de me encontrar com as meninas durante a tarde. Elas não estavam a fim de sair naquele final de semana. Prefiro assim. Como o filho da Duda estava com o pai, tínhamos a casa inteira só para nós. No caminho, passei num sex shop e comprei uma fantasia de policial com quepe, óculos escuros, algemas e a porra toda. Fui para a casa da Duda já vestido. Perigoso e sensual. Nesse mundo não tem professor pra matéria do amor ensinar. Não basta só fazer amor, se a gente também pode gargalhar junto.
            Quando chamei no portão, não me reconheceram. A Duda saiu e, quando percebeu que era eu, foi logo rindo.
            - Mas que diabo é isso, Dan? – perguntou enquanto abria o portão.
            - Meu nome é Stevie, por favor me chame pelo nome, senhora.
            - Pintou o cabelo, o bigode... Agora endoidou de vez, ora pois!
            - Mais respeito com a autoridade, senhora.
            Anabela, quando me viu, não pôde acreditar. Ria tanto que as lágrimas escorriam dos olhos.
            - Bem, meninas, já vi que nessa residência, vocês não têm qualquer respeito pela autoridade. De modo que vou ter de deter a ambas para averiguação. Se continuarem com o desrespeito, serão autuadas por desacato.
            - Mas que fantasia mais chinfrim, hein! Parece o guarda Belo. Não tem vergonha de sair com essa roupa na rua?
            Continuei com a brincadeira. A fantasia era deveras um desastre.
            - Porra, meninas, vocês vão ter de entrar na brincadeira; caso contrário, não vai rolar.
            As duas se controlaram um pouco, conseguiram conter o riso.
            - Tudo bem, o que é que a gente tem de fazer? Você também não explica, porra! A gente não sabia o que falar.
            - Seguinte, eu vou chegar como se fosse um policial de verdade. Vou dar ordem para as duas se encostarem na parede pra eu revistar. Nesse momento, Anabela, você passa a mão no meu pau por cima da calça e diz: “Nossa, policial, para que essa pistola tão grande? Tipo Chapeuzinho e Bobo Mau, sacou?”
            - Tudo bem, então vamos ter de mentir também; porque, pra dizer a verdade, não é nada grande – disse Duda e voltou a gargalhar.
            - Porra, Duda. Não é grande, mas aí, é cabeçudo. Diz aí...
            - Coitado.
            Voltamos com a encenação. Quando Anabela passou a mão pelo zíper, eu já estava com o pau latejando de duro. Ela abriu a braguilha e pegou meu pau, puxando, em seguida, a cabeça rosada para fora.
            - Hum, que pistolão, oficial!
            - Nossa, Stevie, que cassetete!
            Elas tornaram a rir. Eu, entretanto, mantive-me sério. Não brinco em serviço!
            - Ponham na boca... Engulam... Não se envergonhem...
            As duas línguas se revezavam sobre minha pica; às vezes as bocas se beijavam sobre a cabeça. Paraíso, que paraíso? De repente, virou putaria, elas nem riam mais. Tiraram as roupas. Eu coloquei as duas no sofá com as pernas abertas e fiquei louco, que nem cachorro novo, pulando de uma xana para a outra. Não conseguia me concentrar numa só. Fartura, teu nome é amor! O quepe estava torto na minha cabeça; os óculos escuros, dependurados na orelha. Arranquei o uniforme e me deitei no sofá. Então uma delas se sentou no caralho, enquanto a outra sentou com a boceta na minha boca. Brincamos assim por um bom tempo, depois as meninas trocaram de lugar. No meio da foda, eu tinha de pensar em outra coisa. Se ficasse concentrado, gozava na mesma hora. Tinha de me distrair um pouco e depois voltava. Então as minhas companheiras se encaixaram num meia nove, a Anabela por cima. Empurrei o pau e ele escorregou gostoso. De vez em quando, tirava da boceta da Anabela e colocava na boca da Duda. Aí fiquei maldoso. Tirei o pau e lambi com força o cu da Anabela. A menina gemeu. Cuspi. Passei o dedo. “Vou tentar!” Pensei. Se ela reclamasse, eu parava. Para minha surpresa, quando enfiei a cabeça, ela gemeu. Empurrei mais um pouco – é preciso carinho quando se está comendo um cuzinho; se forçar, machuca, ainda mais um rabinho apertado como aquele – ela relaxou, aceitou a pica. Passando a cabeça, o resto escorrega. A própria Anabela arrebitou a bundinha dura e empurrou para trás. Enquanto isso, a Duda, garota esperta, chupava o clitóris. Quando estava tudo dentro, a coisa ficou fácil. Segurei a danada pelo cabelo e soquei até o talo. Ela rosnou, gemeu, pulou. Mandei brasa. Não foi preciso muito. Em pouco tempo, Anabela gozava.
            - Quero que você encha a cabeça da minha pica de merda, safada – falei.
            E aí ela recebeu com força.
            - Vou encher seu cuzinho de porra. Aperta o rabinho no meu pau!
            - Vai, vai, vai.
            - Vou, vou sim, gostosa.
            Ela gritou, tremeu, suspirou. Eu também gozei e, depois, deixei o pau descansando... Porra de amor escorrendo pela bunda dela depois, descendo pelas pernas... E Anabela chorou. Teve uma crise de choro. Caiu de lado e colocou o travesseiro no rosto... Coitada da Duda, só ela não tinha gozado. Eu, porém, sou um homem honrado. Não deixaria a menina na mão. No amor há uma única regra: não se pode ter prazer sem dar prazer! De modo que caí de boca, mesmo esgotado. Um bom oficial não foge ao seu dever. Não precisei chupar muito para a Duda gozar também. Ela estava excitada. Quando gozou, não tirei a boca, continuei mamando até ela não aguentar mais, apertando os bicos dos seios com as mãos...
            - Pode gozar, safada, goza que eu quero engolir todo seu gozo... Enche minha boca... – sussurrei.
            Gozou e, ao contrário da Anabela, teve uma crise de riso. Como é leve o semblante de alguém que acabou de gozar! Uma ria e a outra chorava. Depois inverteram os papéis, chorando e rindo, e se abraçaram. Eu fui ao banheiro tomar um banho. Estava todo melado. Nada como a criatividade na hora do amor.


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ménage à trois - trecho

Elas gargalharam e continuamos com o jogo. Como é bom e saudável brincar de médico. Boca daqui, boca de lá, seios contra meu peito, seios contra minhas costas e mãos que me acariciam o saco, e dedos que entram e saem manchados de mel. Eu parecia um menino em loja de brinquedo, criança em doceria, não sabia quem beijar, quem chupar, quem lamber primeiro. A flor do desejo e do maracujá, eu também quero beijar! E quando eu pus o pau na xoxota da Anabela, ele escorregou como se fosse sugado. Difícil é segurar o gozo numa hora dessas. A língua da Duda se revezando entre meus mamilos e o clitóris da Anabela. E, então, tirar de dentro de uma, esticar o couro, libertar a cabeça dura e enfiar no corpo da outra; sem deixar de dar atenção aos seios excitados que me invadem a bocam e mudam de posição e tornam-se clitóris. Gostinho de café e gozo. E, aí, mudar de posição, mais, assim, para evitar o gozo que para experimentar novo prazer.
— Estou quase gozando! – alguém geme.
— Goze!
— Segura mais um pouquinho.
E vamos assim, afinando a orquestra, ganhando entrosamento, atacando com coesão, os três na mesma afinação, no mesmo instante; até que gozamos, os três juntos, dentro e fora e do lado. Perdido nas tramas do desejo e porra de amor escorrendo entre coxas, nádegas e barrigas.