Sou um cabra das antigas. Do tempo em que a gente esperava dar meia noite pra usar a internet discada. Sim, senhor! Sou tão velho que meu primeiro diploma foi de datilógrafo. Tantas palavras por minuto, com uma tábua cobrindo o teclado e tudo. Passei com louvor. Quando achei que era bom numa coisa, a profissão acabou. "Não tem problema" - pensei - "já que não datilógrafo, serei escritor." Não podia desperdiçar a formação, uai. Além disso, tenho tendência a meditações filosóficas do tipo: por que navio bóia e prego afunda? De onde venho? Para onde vou? De modo que, o que quero dizer é que nunca consegui acompanhar muito bem as inovações tecnológicas. Comprei meu primeiro celular há menos de um ano. E fico besta com as coisas que a turma inventa. Semana passada, por exemplo, gastei seis dias refletindo - filosófico, doutorado no ofício - sobre como funciona o mecanismo de copiar e colar no celular. Você gosta de um texto. Pressiona o dedo em cima. Depois vai para o lugar aonde quer colar e pressiona outra vez. O texto inteirinho ressurge na nova tela. A mosca pousou na sopa
! Olhava o dedo; olhava a tela. Olhava o dedo; olhava a tela. Tive insônia, depressão, prisão de ventre, perda de apetite, todo gênero de ansiedade. Já disse, sou filósofo, gosto de investigar o modo como o mundo funciona. Por mais que quebrasse a cabeça, não consegui responder à questão: como é que o conteúdo da tela cola e descola do dedo da gente
? Por bem menos, muita gente boa foi assada um dia. Como se vê, mais importante que encontrar as respostas é colocar as perguntas certas.
Alguém aí arrisca?
Nenhum comentário:
Postar um comentário