O ser humano confia nos seus sentidos; mas o amor de uma mãe por seu filho não é palpável, não tem sabor ou cheiro, não se pode ver ou ouvir e, no entanto, existe e é. Quem crê unicamente nos sentidos e no científico é mais pobre que uma flor morta. Pior, é desumilde. Toma a si mesmo - o ser humano - como medida do universo. A ferida narcísica é só um convite à humildade. A raiz do sofrimento é a arrogância. O problema humano não é político, mas ontológico. A todos nós falta a coragem para encarar o mistério e reconhecer nossa insignificância. Enquanto não nos voltarmos à origem oculta, todas as reformas e revoluções, versões materialistas do mesmo erro, desembocarão na tragédia. Isto, todavia, não nos impede de lutar para que todos tenham pão e casa. Vivemos dependurados no milagre. Todos os fogos dissolvem-se no sol: o ser que sou só é por dádiva do Ser. Não tenho qualquer controle sobre o movimento de meus pulmões, assim como não controlo o oxigênio que circula ao redor. Meus pulmões, no entanto, continuam me mantendo vivo e o amor, revestido de ar, a cada inspiração, inunda meu organismo de vida. Eu posso ver inclusive as cores de tal balé; tudo é translúcido! Se o homem prestasse atenção deveras a uma única respiração, tornar-se-ia espiritual, pois não teria como ignorar o milagre. Nasce novo dia para povoarmos de eternidade. Menos é mais; por hoje, afetividade, simplicidade, economia
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