Parecia uma sexta-feira comum. Ele tinha levantado cedo, escovado os dentes, alimentado os bichos. E foi trabalhar. E almoçou. E ministrou doze aulas. Quando, porém, voltou pra casa, final de tarde, refletindo sobre o conto O jardim dos caminhos que se BIFURCAM, não encontrou mais a casa. Não havia mais quarto, cozinha ou garagem. Não havia mais esposa, filhos ou gatos. Restara a cratera; como se um meteoro. Cena de filme de horror, num piscar, a cratera, viva, pulou pra dentro do peito. E ele teve de se equilibrar, depois do choque, e reaprender a andar. Mesmo com aquele buraco no meio, precisava se diluir em meio à manada dos normais e encontrar albergue entre a garôa e o fundo da noite.
Começava dezembro.
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