ORIN
foi procurar Mestre Dogen porque seu bebê estava desenganado pelos médicos. Ela era prostituta e precisava muito ser amada. A criança era o único lugar no mundo onde ainda se sentia humana. O Mestre ordenou que ela procurasse no vilarejo uma casa onde ninguém tivesse perdido um ente. Se desse à criança um único grão de arroz de tal casa, o bebê se restabeleceria. Óbvio, Orin não encontrou. Morte e vida são inseparáveis. Neste dia, em solidão, Mestre Dogen chorou; mas ainda precisou ser firme. Orin pediu para ser aceita no mosteiro; seu coração, no entanto, ainda não estava pronto e Dogen teve de negar. Aconselhou que Orin voltasse à cidade e praticasse zazen. Muitas coisas aconteceram, o jovem cozinheiro do mosteiro partiu, pois apaixonara-se pela moça; que rondava. Tempo. Em seu leito de morte, Mestre Dogen pediu ao seu braço direito que ordenasse Orin; estava pronta. Ela então se tornou a responsável pela educação espiritual das crianças; sua vocação desde sempre. Viver é também atravessar sofrimentos. Quando observo meus filhos, queria tomar para mim suas dores: decepções, frustrações, o primeiro amor desfeito, eu passei e sei que tudo é muito; mas, assim como não posso ditar-lhes a profissão, não posso viver o destino deles. Só posso dizer que estou aqui e sou colo e amor. Não tenho como evitar as lágrimas, mas posso ser o abraço quente onde vêm chorar. Quando nos afastamos de nossa alma, o sofrimento é um chamado, estávamos num caminho errado, numa jornada que não nos pertencia. A dor nos traz de volta ao nosso destino. Cabe-nos a tarefa de compreender qual lição determinada dor vem ministrar. A vida só ganha contorno de um significado se observada do fim para o começo. Enquanto caminhamos sobre as águas: paciência. Como disse Riobaldo: "Deus é paciência, o contrário é o Diabo"
Nenhum comentário:
Postar um comentário