quinta-feira, 22 de outubro de 2020

MUITO DIFERENTE

Ela estudou comigo até a oitava série. Era gordinha, linda; mas as mocinhas das séries e comédias românticas hollywoodianas nunca se pareciam. Elas nunca se parecem com ninguém de verdade. Sei que sofreu e o trauma ficou. Também sofri. Se ela tinha seus apelidos, eu tinha os meus; por conta da cabeça avantajada. Outro dia, alguém, de um perfil sem foto, solicitou amizade. Procurei nos álbuns e carregamentos: nada. Nenhuma imagem. Por outro lado, havia muitas informações acerca da vida profissional e acadêmica. Tinha estudado até na UCLA e agora lecionava numa universidade federal. Continuei pesquisando e, ao entrar no perfil da filha, reconheci minha colega do ensino fundamental numa fotografia de família. Não tinha mudado quase nada. Apesar de tantas conquistas, mantinha o mesmo olhar desamparado, meio triste, daqueles tempos de menina.

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