Quero falar
de coisas que, sendo idadosas, são ainda novas:
Velho com chapéu
de jornal,
Madeira
marcada,
Carro de boi
de brinquedo,
Uma canção
da jovem guarda;
A senhora
que cultiva orquídeas e tranças:
- Tu és moço
tão belo, vou dar-te um bezerrinho – ela diz.
Ser é
acumular:
O bebê
acumula pai, avô e tataravô.
O velho
acumula a criança, o jovem e o homem.
Tudo é novo
e velho ao mesmo tempo.
Desmontada a
matrioshka, nosso destino não é a cova,
Mas a erva e
o coração daqueles que cantam.