quarta-feira, 11 de julho de 2018
NOTA SOBRE MEDITAÇÃO
Os dias mais tenebrosos que atravessaram na caverna, os meninos do time Javalis Selvagens permaneceram em silêncio, meditando. Existem múltiplas técnicas de meditação, mas todas elas buscam silenciar os pensamentos, encontrar a paz. O teatro freudiano de Édipo começa quando a criança percebe que há um eu, um pai, uma mãe; mas, muito antes disso, já havia a vida. A meditação nos leva ao centro da Vida e só a Vida pode curar a vida. O básico, de todos os métodos, consiste em observar os pensamentos. É como se, em vez de virarmos os olhos para fora, voltássemos para dentro, observássemos o que se passa com nossa respiração, com nosso corpo e pensamentos. Não há necessidade de julgamento, porque o julgamento é ainda uma formação do eu e o eu é algo cultural, criado de fora para dentro pelo próprio pensamento. É difícil para nós, ocidentais, nascidos no seio do cogito cartesiano compreender que não é o eu que engendra o pensamento, mas o contrário. O simples fato de estarmos atentos, de observarmos o que se passa no nosso interior, faz com que as muralhas caiam. A meditação não está necessariamente ligada a qualquer religião; ela, no entanto, nos religa ao fluxo vital. Há, na própria Bíblia Sagrada, uma flor que aponta para a meditação. Trata-se da passagem do livro de Josué sobre o cerco de Jericó. Durante seis dias, o povo israelita permaneceu em silêncio ao redor da muralha e, no sétimo dia, ao gritarem, a muralha caiu por si mesma. Ao observarmos nossos problemas, nossas muralhas internas, nosso ego, tudo isso se enfraquece e, com o tempo, desmorona. De acordo com um koan, espécie de enigma zen, olhamos outra vez e notamos que o ganso está fora da garrafa. Há algo para além dos sentidos e da razão que nos chega na forma de Intuição – Bergson percebeu isso -, mas a Intuição só se nos dá quando estamos vazios, silenciosos, atentos à sua voz. Sexo e meditação são folhas da mesma árvore e todas as folhas são do vento.
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