Por que continuar escrevendo romances depois de Dostoiévsky, Emily Brontë, do Machado, do Rosa? Simples, porque a vida continua, porque ela, a vida, extrapola as palavras; mas, ainda assim, as pede. O sol é o mesmo que iluminou Cervantes em Espanha, Fitzgerald na América de 1920 e, de qualquer modo, é outro. A única novidade é o sol e o que se repete é a forma vazia do tempo em outros corações.
CAEIRO:
“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”
A travessia é semelhante, mas cada vida carrega uma nuance, a qualidade de ser única, como a forma de uma nuvem que não se repete jamais, ainda que outras nuvens se formem. Escrevo para dar o testemunho da minha perplexidade e de minhas incertezas diante do mundo que se revela diferente a cada manhã. Sem a palavra, não dou conta. Outros fazem simpatia, rezam, caminham no parque, vão à Igreja...
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