Nada tenho contra expressões bem intencionadas, mas sou avesso a qualquer tipo de vocabulário que, de um instante para o outro, vira moda. Respeito muito as palavras e creio que nomear uma coisa é também criá-la. A palavra tem a força encantada de criar aquilo que nomeia: no princípio era o Verbo. E, bem, a esta altura do campeonato, eu já não poderia me chamar Roberto, ou Everaldo. Tenho inclusive um amigo chamado Neverton: o qual, por força deste “never”, vive tropeçando pela vida, coitado! Nada que o cara faz funciona. Já tentou ser de tudo: de pizzaiolo a professor. Algo funcionou? NEVER-ton. O nome tem um quê do corvo de Poe: Never more, ton!
Mas por que foi que falei do meu amigo mesmo? Lembrei, as expressões, por vezes bem intencionadas, que viram moda. Sim, não gosto, desde futebol apoiado até empoderamento; essa palavra feia, meio americanizada. Do futebol apoiado melhor nem tratar, mas o empoderamento é simples: trata de tornar um grupo ou alguém poderoso, ou poderosa. E não gosto porque, como diz a canção, o medo de amar é o medo de recusar o poder. Eu creio é no amor e, onde há uma relação de amor, não pode haver poder e vice-versa. Besta é quem pensa que pode controlar o poder. Somos, isso sim, facilmente manipulados por ele. A gente pode tentar apenas restabelecer a autoconfiança de alguém; mas, com o tempo, o poder busca mesmo é o Poder.
E tem também lugar de fala. Para começar, acho que a expressão já exclui a arte, uma vez que a arte é justamente essa possibilidade de dizer com o outro. O artista é aquele que se transforma em tudo: tem mil identidades jogadas sobre o abismo. Deus me livre de ser só isso ou aquilo! E outra coisa, nestes tempos em que há uma tremenda gritaria... um ruído sem fim, mais importante que o lugar de fala seria o lugar silencioso e vazio de escuta. Já ninguém ouve ninguém e, num diálogo, a gente percebe que as pessoas monologam a dois. Aqueles meninos de Suzano gritaram uma dezena de vezes o que estavam prestes a fazer; e ninguém - além dos canalhas - ouviu. De que adianta falar assim? Antes o silêncio que a palavra gasta. O Fascismo acontece quando não nos deixam calar e, de boas intenções, o inferno está cheio. Quase toda censura, tortura, assassinato que aconteceu na história da humanidade foi em nome de um bem maior que pode ser chamado de Fascismo, Revolução, Deus ou Comunismo.
É preciso que a gente esteja sempre atento porque a gente engendra o monstro que combate e, facilmente, pode se transformar nele.
Quando olhamos em demasia para um abismo, o abismo também nos olha. Boa quarta-feira.
Mas por que foi que falei do meu amigo mesmo? Lembrei, as expressões, por vezes bem intencionadas, que viram moda. Sim, não gosto, desde futebol apoiado até empoderamento; essa palavra feia, meio americanizada. Do futebol apoiado melhor nem tratar, mas o empoderamento é simples: trata de tornar um grupo ou alguém poderoso, ou poderosa. E não gosto porque, como diz a canção, o medo de amar é o medo de recusar o poder. Eu creio é no amor e, onde há uma relação de amor, não pode haver poder e vice-versa. Besta é quem pensa que pode controlar o poder. Somos, isso sim, facilmente manipulados por ele. A gente pode tentar apenas restabelecer a autoconfiança de alguém; mas, com o tempo, o poder busca mesmo é o Poder.
E tem também lugar de fala. Para começar, acho que a expressão já exclui a arte, uma vez que a arte é justamente essa possibilidade de dizer com o outro. O artista é aquele que se transforma em tudo: tem mil identidades jogadas sobre o abismo. Deus me livre de ser só isso ou aquilo! E outra coisa, nestes tempos em que há uma tremenda gritaria... um ruído sem fim, mais importante que o lugar de fala seria o lugar silencioso e vazio de escuta. Já ninguém ouve ninguém e, num diálogo, a gente percebe que as pessoas monologam a dois. Aqueles meninos de Suzano gritaram uma dezena de vezes o que estavam prestes a fazer; e ninguém - além dos canalhas - ouviu. De que adianta falar assim? Antes o silêncio que a palavra gasta. O Fascismo acontece quando não nos deixam calar e, de boas intenções, o inferno está cheio. Quase toda censura, tortura, assassinato que aconteceu na história da humanidade foi em nome de um bem maior que pode ser chamado de Fascismo, Revolução, Deus ou Comunismo.
É preciso que a gente esteja sempre atento porque a gente engendra o monstro que combate e, facilmente, pode se transformar nele.
Quando olhamos em demasia para um abismo, o abismo também nos olha. Boa quarta-feira.