quinta-feira, 8 de junho de 2017

NO CÉU COM DIAMANTES - CAP. 1


- Aos dezoito anos coloquei fogo no corpo depois de ver um monge sentado em posição de lótus fazer o mesmo na televisão. Imolar-me parecia uma solução. Dores menores, por vezes, nos fazem esquecer as outras, grandes. Alguns se cortavam no colégio; outros enfiavam agulhas, alfinetes, ponteiros de bússola, de relógio, sob as unhas. Optei pelo fogo. Para tudo aquilo que as palavras não podem exprimir, existe o fogo. Era bela a imagem do monge na televisão: paz em chamas. Pensei que minha carne em brasas tivesse um cheiro doce, algo parecido com incenso, cânhamo, flor, mas carne humana queimada tem cheiro de churrasco, não difere muito da carne de vaca, ou de porco – L me diz, passando uma das mãos nas cicatrizes do outro braço.
- Posso?
Ela faz que sim com a cabeça.
Corro meu indicador direito sobre a cartografia desta cidade trágica: vales, montes, montanhas, precipícios. Em algumas partes, parece haver um nó na pele.
- Passei por algumas cirurgias plásticas. Fizeram enxertos onde precisava. Ficou bem melhor. Neste braço não resolveu muito. Algumas feridas não cicatrizam nunca; nem na dispersão. Tantos fantasmas... Mas agora o passado já não dói. O que foi era uma rocha, agora é poeira, perdeu a forma.
Em alguns momentos, L é uma criança arteira e vaidosa: prega peças às enfermeiras, faz sorrir às outras pacientes, conta piadas sujas, passa maquiagem e pinta as unhas de vermelho; em outros, a catatonia e medo medo medo e incapacidade de autoengano. A criação é a mentira-ilusão elevada à enésima potência, mas L é verdade dilacerante, inexorável. Ela nada celebra, nada constrói, mas dança dança dança na beira do abismo, escarrando em seguida na cara séria do mistério. De um dia para o outro, passa da mais bela das bailarinas à mais feia das Bruxas. Como eu, médico oriundo da escola de Viena, posso entender um mundo ao qual não tenho o menor acesso? Feito a morte, não sabemos de alguém que tenha ido e voltado pra contar a história. Do lugar onde ela vive, nada escapa sem se desfigurar em imagens demoníacas: oligofrenia. Meus mestres deram-me gavetas etiquetadas; L, no entanto, resistiu a caber em qualquer delas. Implodiu meus armários, chutou meus arquivos e foi morar na rachadura, junto às baratas, formigas e cupins. Cambaleio bêbedo atrás dela. Tateio e não encontro coisa. Busco e nada vejo. Não sei bem o que persigo junto a ela, mas o intuo maravilhoso, pleno, brilhante, sagrado - to the wonder!
Ela fala:
- Brisa, peixe, cavalos-marinhos_______________ pequenos crustáceos que seguem cegos um comando de fuga no fundo do mar____________, doutor, quem os lidera? E a cura pelo azul, não é possível? Que é o bliss se não a sombra de uma sabedoria suprema? Sagrado sem pai, o amorfo por trás de toda forma. 
Mergulha outra vez e emerge sobre um cavalo em chamas.
- Quando criança, brincava todo o tempo na lama. Esfregava a bucetinha miúda nos dedos grandes da lama. Tinha um pacto com a lama e as raízes. Escuro é o nome de um homem que conheço bem! A quem culpar se, ainda no colo, já sabia o sexo e rebolava sem culpa na superfície do pecado? Será que a culpa é toda do Pai? Mas o Pai não é só o Pai, é também o Filho e o Espírito Santo e o consultório médico, e a sala de ginástica, e as grandes cidades, e a Igreja, e o presidente, e a língua inglesa, e os Estados Unidos da América, e Hitler, Stalin; todos os nomes da história: pai e poder começam com P... Até o Maravilhoso! Vem comigo, doutor, em consonância com a velocidade sem espaço!
Ela pede que não largue sua mão; implora. A princípio, tem medo de se dissolver. Tudo é grande, e elevado, e trêmulo, e grave, e frio, mesmo o fogo. Por instantes, tenho a impressão de que não é ela quem fala e eu quem ouço; e sim a voz dela na minha boca, meu ouvido dentro de sua orelha. Não dura muito.
- Como limpar a casa depois de ser atravessada pela não-dualidade? Na quina, horizontes e fronteiras são iguais e nos assusta o aí, o simples fato de o mundo acontecer a cada instante, dependurado no nada, feito bolinha de árvore de natal; sem árvore de natal. Como lavar a louça quando tudo o que se é está em dispersão?
Não sei que responder, mas lhe presenteio com um maço de cigarros e um batom vermelho. A brincadeira e o desespero jamais estiveram tão enredados, feito serpentes que fodem lerdas, viscosas, coloridas, nos recônditos do pântano. Eu, por meu lado, não compreendo a velocidade-pura. Não compreendo coisa alguma. Meu coração semi-cartesiano tem sede de sentido; meu coração matemático lança âncora no cotidiano, enquanto que, para compreendê-la, teria de ser como ela:
Nau à deriva
Desprotegida
Sem qualquer coordenada
Entregue à dissolução e ao medo.
Quem pode ver a face iluminada de Deus sem se esfarelar feito pão velho?
L diz que me ama.
- Vem comigo... Até o Maravilhoso! – convida. – Estaremos juntos em Deus, seremos o orgasmo em Deus. Seremos feito o fidalgo Raimon Lull, espanhol do século XVIII, que conseguiu marcar um encontro secreto com a dama que admirava depois de uma verdadeira caçada por toda a corte. Mas, para a surpresa do fidalgo, na ocasião do encontro, ela, a dama, abriu silenciosamente o vestido e mostrou-lhe o seio, roído pelo câncer. Daí por diante, Lull tornou-se teólogo e dedicou o resto de sua vida a Deus. Vem comigo! Através do choque, dos ratos, do câncer e da morte e estaremos juntos no coração deste Deus que fisgou Raimon Lull. Vem?
Vou com ela até à beira do abismo, mas cravo o mastro da minha bandeira na razão e me despeço.
- Não era para isso... Em nome disso... Que você rezava, quando menino, nas missas de domingo? – E então solta minha mão, sorrindo, antes de ser tragada pela chama vermelha do cigarro.
Em outros tempos:
Espanha-Alemanha-Igreja-Fruta-Festa-Frio-Água-Rio-Floresta-Vestido-Chapéu-de-Palha-Auto-de-Fé.
- Até o Maravilhoso!
Despeço-me e, pela primeira vez nos últimos vinte anos, penso em suicídio.






terça-feira, 6 de junho de 2017

LISA: UMA GORDINHA MUITO ESPECIAL

Aqui em casa, tratamos todos de modo igual, para não haver ciúme. Então, como ontem falei do Fumaça, hoje quero falar da Lisa, nossa gatinha intelectual. Se fosse gente, estaria lendo Proust aos 15 anos. Depois, semana que vem, abordo a Nicole - fui informado de que é assim que se escreve - e a Wendy.
                Peguei a Lisa depois que outra gata linda que tínhamos, a Clarice, desapareceu. Meu filho João, 10, e eu rodamos o bairro inteiro, procurando, perguntando, colando cartazes e... Nada. O João ficou triste - é um funkeiro muito sensível. Nessa época, já tínhamos a Nicole. Então, numa noite, antes do trabalho, passei no pet shop pra comprar ração e areia. Numa gaiola, do lado de fora, havia três gatinhos. Um frio danado. Garoando. Olhei, dois dos bichos brincavam, a terceira estava quieta, no canto, magérrima. Pensei: “é ela.”
                - Escuta aí, meu irmão, esses gatos são pra doação?
                - São.
                - Queria aquela magrelinha ali.
              - Putz, cara, ainda bem que você escolheu ela, estava com medo que morresse de fome, as outras gatas, são todas fêmeas, tomam a comida dela, não deixam ela comer nunca. Se continuasse aqui ia morrer logo, logo.
            Levei Lisa. A Nicole sempre foi conversadeira, não tanto quanto o Fumaça, mas miava bastante. Já a Lisa, não mia quase nunca. Quando chega alguém, ela se esconde atrás do sofá, ou do armário. Só sai quando a visita vai embora. E, se antes não conseguia comer, agora está obesa. Gosta de Pachelbel. É só colocar Canon in D, que ela vem, silenciosa, e olha a gente nos olhos. Tipo assim: “Te amo, mas será que posso confiar mesmo?” Se está deitada perto da gente e outro bicho chega, ela sai e se esconde; mas, quando a gente acaricia a cabeça dela, ela vira e tenta lamber a mão, para retribuir o carinho. Deve ter sido abandonada muito cedo, porque até hoje, quando deita perto da gente, repete os movimentos como se estivesse mamando. Como lê muito, acho que, em breve, precisaremos fazer uns óculos pra ela, pelo menos pra descanso. Vai ficar charmosa. Uma gatinha rajada, bem gordinha, usando óculos pretos de aro redondo.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

O gato preto aqui de casa

                Temos quatro gatos. Três meninas: Wendy, Nicolly e Lisa; e um menino: o Fumaça. Com as meninas nunca tivemos problemas, são umas ladys. Só fazem suas necessidades na caixa de areia. Comem apenas ração, em horários regulares. Limpam-se duas ou três vezes por dia. Quando a caixa de areia fica suja, miam ao lado até que troquemos a areia e só então fazem a toilet. Andam pela casa de modo delicado, como se usassem salto alto em cada uma das patinhas. Mas, como disse, temos um machinho: o Fumaça. Ele é o mais novo, deve ter uns quatro meses, mas já deu mais trabalho que as outras três juntas. Fumaça faz xixi em tudo quanto é canto. Não respeita sofá, cama, livro, roupa. Outro dia, defecou em cima da pia da cozinha. Basta deixar a tampa da privada aberta que ele enche a pança de água suja. Outro dia, estava atrasado para um compromisso, larguei a roupa na cama e tomei um banho de três minutos. Vesti a roupa rápido e saí. Só no carro foi que percebi o odor característico: Fumaça tinha mijado nas minhas calças. Não dava tempo de voltar. De modo que, neste exato momento, pensei no conto do Poe, vocês sabem.
                Quando o Fumaça chegou aqui em casa, as gatas perderam a paz. A Nicolly, mais velha, não pode vê-lo se aproximar que bufa. Às vezes ela se deita na passadeira ao lado da pia da cozinha. Sem fazer barulho, ele sobe na pia e despenca sobre ela lá de cima, miando: - MADEIRA! E aí sai correndo com medo de apanhar. A Lisa, do meio, bem gordinha, qualquer dia escrevo sobre ela, só se afasta, sem dizer nada; ela é tímida, sofreu bullying no pet shop, ainda mama, esfregando as patinhas na minha camisa, quando estou deitado. A única que dá bola pro Fumaça é a Wendy. Ela, branquinha, branquinha; ele, pretinho, pretinho. Os dois brincam, limpam-se mutuamente, fazem carinho. Às vezes dormem abraçados, que nem gente. Ele mentindo pra ela: – Não sou um gato, sou um pantero, vim das savanas africanas, já enfrentei todo tipo de animais selvagens. - Ela sabe que é xaveco dele, mas finge que acredita.
                Dias atrás, estava deitado na sala ouvindo música - É impressionante como os gatos gostam de música. Cada uma/um, tem gosto diferente. Nicolly gosta de pop anos 80; Lisa, música clássica; Wendy é fã de Amy Winehouse e o Fumaça não tem paciência pra nada, só quando meu filho põe um funk proibidão é que ele se anima.  – Sim, voltando, estava ouvindo música, deitado no sofá da sala. Ele chegou, todo bonzinho, o motor ligado; apesar de ser o menor, é o que ronrona mais alto; deitou no meu peito, baixou a cabecinha e ficou quietinho.
                - Ué, que foi? Entrou em depressão? – Perguntei. Não respondeu. Fiquei fazendo carinho até sentir o calor. O endiabrado estava mijando em cima de mim, por isso o jeitinho manso, a delicadeza. Fumaça quando está quieto, está aprontando.
                Tempos atrás, Fumaça pegou um fungo e passou pra toda a família. Gastei uma nota, mas agora estamos todos bem. Nesse dia, contamos a respeito do comportamento dele à veterinária. Ela foi enfática:
                - Só melhora castrando.

          Então marcamos e, daqui a pouco, às onze, levo o Fumaça para a castração, mas com o coração partido em mil pedaços. Sei que quando voltar, ele já não será o mesmo. Desculpe, menino.

Um aleijado muito do filho da puta

Pode perguntar pra qualquer um: sem beber sou um gentleman; mas, bebeu,  fodeu. Não que eu fique violento nem nada, só que quero ser o centro das atenções. Já viram criança dançando na própria festa de aniversário? Então, sou eu quando bebo. Sem contar a aceleração mental. Bato recordes de velocidade: é uma piada, uma mentira, por segundo. Pode perguntar pra qualquer um: fica pequeno pra esses humoristas cu-de-frango que empinam pipa no ventilador.
            Quando chegamos no bar - meu primo Nena, meu primo Dudu e eu - estávamos todos sóbrios. Silenciosos feito freiras no convento. Como estava com uma moeda, comprei meia dúzia de espetinhos e pedi que o dono do bar tirasse dos espetos e colocasse num prato com farofa. Em seguida, ofereci de mesa em mesa, de bêbado em bêbado, na maior educação.
            - Pô, que gentileza – disse um motoqueiro, mas o deficiente físico que estava ao lado dele, com as muletas encostadas à mesa, emendou:
            - Enfia no cu, branquelo.
            Não enfiei o churrasco no cu. Cada espetinho custava quatro reais, de modo que era muito dinheiro para desperdiçar assim.
            Tenho um coração bom. Pode perguntar pra qualquer um. Brigo, berro e bufo, mas não guardo mágoa, nem ressentimento... Então bola pra frente e cada aleijado com sua muleta. Pedimos cerveja... Cachacinha com Cambuci. A carne tava boa; a breja, gelada e a pinga bem temperada. Pedimos mais cerveja e mais pinga. E mais uma rodada... E outra. Aí comecei meu stand up. Uma graça engendrando outra. No meio do bar. Todo mundo ria. Mandaram descer cerveja de graça na nossa mesa... E eu lá, contando uma mentira atrás da outra. Metralhadora ligada e gatilho acionado. E aí o aleijado passou pra ir ao banheiro...
            - Cê é o bichão mesmo, hein doido? – disse e, sem mais nem menos, meteu uma das muletas na minha cabeça.
            Relevei de novo. Tenho coração bom, pode perguntar pra qualquer um. Continuei com o show...
            - Por que você não vai tomar no cu, hein, veado?! – era o aleijado outra vez, voltando do banheiro. Aí não aguentei. Ele me deu as costas pra pedir alguma coisa no balcão e eu enfiei o indicador, até o talo, no cu do aleijado. Quase arranquei uma casquinha de feijão. Ele pulou, as muletas caíram pros lados e o tempo fechou que nem nO morro dos ventos uivantes. A simpatia para com minha pessoa desapareceu no instante em que meu fura-bolo deixou de beijar o cu do aleijado.
            Meu primo Nena, ele é muito macho até hoje, tinha ido ao banheiro. Quando voltou, eu cochichei.
            - Vambora que o tempo fechou.
            - Que aconteceu?
            - Enfiei o dedo no cu daquele aleijado chato do caralho.
            - Nunca saí correndo de lugar nenhum e não é hoje que vou sair.
            É chato andar com gente corajosa. Por mim, teria saído que nem o Roberto Carlos: a trezentos por hora. Mas o Nena não arredou pé e estávamos todos no monzão 84 dele.
            Sacaram-se as peças. Cada ferro mais louco que o outro. O motoqueiro que tinha comido meu churrasco, puxou uma faca igual a do Rambo. E vai e vem, e vai e vem. Os caras gritando:
            - Vamo sentá o dedo nesse alemão do caralho.
            Empurra daqui, empurra de lá.
            O Nena desarmado, só nas ideias, apaziguou tudo. A coragem vale mais que mil berros. No final, pagamos uma cerveja para a turma do aleijado, eles pagaram uma pra gente também. Eu perdi a graça. Parecia criança quando toma cascudo. Quase pedi um doce. Não era digno de estar no meio dos homens. Fiquei triste. Tinha aprontado de novo. Cruzei as mãozinhas no meio das pernas e baixei a cabeça. Quando terminamos de beber, pagamos a conta e estávamos indo embora - tipo cangaceiro, ou caubói, sem dar as costas pro bar – só que, quando passei perto do aleijado, ele pôs a muleta na frente, trupiquei e caí de costas. Tudo bem, como diz o clássico do cancioneiro popular brasileiro composto por João Gilberto: é beber, cair e levantar.

            Na boa, por mais que queiramos um mundo cor de rosa, com as pessoas dando flores umas às outras, o amor crescendo junto ao trigo nos campos, digam aí: esse era ou não era um aleijado muito do filho da puta?

domingo, 4 de junho de 2017

SÍNDROME DE ROLANDO LERO: O CASO ANTONIO CANDIDO



- Seo Rolando Lero, o Sr. acompanha os cadernos de cultura dos jornais?
- Sim, como não?
- Seo Rolando Lero, de que morreu Antonio Candido?
- MMMOOOORRREEEUUU? Não posso crer, amado mestre! Estivemos juntos ainda mês passado, comendo uma bacalhoada. Candinho adorava um bom bacalhau assado com batatas e azeitonas da Ilha da madeira. Morreu Candinho, vai fazer falta. Tão triste ver morrer assim, de repente, um rapaz tão moço, praticamente recém-saído da adolescência.
- Seo Rolando Lero, Antonio Candido tinha quase cem anos.
- Sim, mas jovem em espírito.
- Seo Rolando Lero, que livro importante escreveu Antonio Candido?
- Amado mestre, lembro Candinho ainda jovem, bigodes pretos insuflados ao vento, com uma pilha de papéis ao sovaco. Imagine que aqueles eram os manuscritos de Casa Grande & Senzala. Ele corria atrás do Oswald, de Andrade, pelos bares da cidade, o qual reclamava: Ih! Lá vem o chato-boy...
- Seo Rolando Lero, Casa Grande & Senzala foi escrito por Gilberto Freyre. Antonio escreveu algo envolvendo sociologia e literatura.
- Sim, tem toda razão, como não? Um lapso, amado mestre, espero que entenda. Ele escrevia então Raízes do Brasil,sociologia, isso, costumava vê-lo rondando ali pelos arredores de Assis, na biblioteca da UNESP, cruzando o bosque, rabiscando e rabiscando e rabiscando papeis em branco, rasgando rascunhos.
- O Sr. está certo, em parte, Antonio Candido ajudou a fundar mesmo a UNESP em Assis, mas Antonio Candido escreveu Literatura e sociedade e não Raízes do Brasil que foi escrita por Sérgio Buarque de Holanda, pai do nosso querido Chico Buarque de Holanda.
- Sim, sim, sim... Serginho, pai de Chiquinho. Espero que entenda o novo lapso, mas e a nota?
- Porque acertou ao menos a biblioteca e uma universidade na qual o mestre realmente trabalhou, nota 2,0.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

QUANDO OS ANJOS FUMAM CRACK

Sou um cara muito suscetível, reconheço. E nunca sei distinguir fantasia e verdade, sonho e realidade. Por isso, espero que me ajudem a entender o que aconteceu ainda há pouco. Eu tinha acabado de deixar meu filho na escola e parei para tomar café e comer um pão na chapa, esses poucos luxos que ainda me permito. Pensava nos versos do Bob Marley: “good friends we have / oh good friends we've lost / along the way”, mas lia Drummond, sempre: “A injustiça não se resolve. / À sombra do mundo errado / murmuraste um protesto tímido. / Mas virão outros.” Na televisão, as mesmas notícias de sempre: corrupção, ganância, morte, violência... E meus filhos são tão pequenos! E há tantas crianças pelo mundo! A moça do caixa mudou de canal e foi aí, exatamente aí, que ela entrou: uma deusa em farrapos. Usava botas de salto alto, um casaco sujo, uma echarpe rosa choque. Havia ali uma preocupação estética, apesar. Entregou uma flor a uma enfermeira sonolenta que também tomava seu café. Cumprimentou o balconista e aí me viu. Pensei: lá vem! Só quero ficar quieto no meu canto... E, lá vem! Sentou-se numa cadeira vazia à minha frente e foi então que seu rosto apareceu: dentes amarelados, pele morena e olhos verdes, mas tão verdes que lembraram a esperança e os grilos que a simbolizam.
- Não fique triste, moço, você tem uns olhos de quem está sempre triste, mesmo quando faz os outros darem risada. – Tocou meu braço e senti a corrente elétrica. - O mundo é pesado, mas Deus sabe de todas as coisas.
Solucei. Engoli o choro. As preocupações e dores se foram como num passe de mágica, como num milagre, como se já tivesse tomado meu diazepan 5 mg.
- Posso pedir um pão?
- Claro.
Pediu pão seco. Não quis margarina, nem nada. Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, desapareceu. Tomo café, nesta mesma padaria, todos os dias e nunca a vi por ali, nunca.
- Uma moça tão bonita, tão boa, mas fuma crack – disse o copa, piscando o olho.
Apesar do alívio que o toque da moça me causara, fiquei pensando: o que acontece com o mundo quando os anjos fumam crack?


quinta-feira, 1 de junho de 2017

A MALDADE JÁ VIMOS DEMAIS

1.    Sympathy for the devil

Não me interessa ser um idiota da objetividade. Quando leio Fogo Morto, estou no sertão, ressentido, batendo sola, e sou Mestre José Amaro; ou continuo no sertão, sendo atormentado pelos moleques: papa-figo papa-figo! E sou Capitão Vitorino Carneiro da Cunha. A literatura é algo muito sério, ou a engolimos e ela se torna parte de nós, ou é nada. Desde os dezesseis anos, tanto para o bem, quanto para o mal, sou Heathcliff: sei ser estoico e aguentar pancada, sei o que é o amor e a humilhação. Estou também atrás da porta quando Cathy diz: “se eu e Heathcliff nos casássemos, seríamos uns pobretões. Enquanto se eu me casar com Linton, poderei ajudar Heathcliff...” [1]. Sou eu quem conversa com Nelly:
- Nelly, mesmo que eu o derrubasse vinte vezes, isso não o tornaria menos bonito nem a mim menos feio. Como eu queria ter cabelo louro e pele clara, vestir-me e comportar-me bem e ter uma chance de vir a ser tão rico quanto ele!
[...]
Você deve aprender a desfazer essas rugas, a erguer abertamente essas pálpebras e transformar os demônios em anjos confiantes e inocentes [...] Não assuma a expressão de um cão danado, que só espera do mundo pontapés, embora odeie o mundo e os pontapés pelo que eles lhe fazem sofrer."[2]

Como diz Raul Seixas, em Segredo da luz: o ódio não é o real, é a ausência do amor. E, embora Eu-Heathcliff tenha encontrado algum amor pela acolhida do Sr. Earnshaw, o velho veio a falecer cedo, deixando-me só nas mãos de Hindley. E, embora tenha amado Catherine, embora tenha sido Catherine, fui traído - todo amor tem seu calcanhar de Aquiles - na noite em que ela foi mordida no pé pelo cão dos Linton e, quando voltou, cinco semanas depois, já era outra. Tinha esquecido a natureza, nossos campos em Yorkshire. Ela, Catherine, tinha sido domesticada pela cultura, enquanto eu, como um cão, encolhia-me sujo e descabelado, selvagem, natureza, num canto da casa. E ela riu, ó como riu! Se o ódio não é o real, é a ausência do amor, então sou essa ausência – menino achado sem idioma, sem pai, sem mãe. E, no entanto, como doeu... Como me culpei, como me arrependi, na noite em que o intrometido Sr. Lockwood viu teu fantasma, Cathy, e nada pude fazer além de perder o controle e mergulhar no desespero. E ainda dizem por aí que não tenho coração: - Entre! Entre! solucei “- Cathy, entre. Oh venha... venha... uma vez mais! Oh, minha adorada! Escute-me agora, Catherine, finalmente!”[3] – E... Nada. Só silêncio e brancura!
Sempre acreditei que o dentro é fora e o fora é dentro. Subjetivo e objetivo são invenções metafísicas, apenas. Como o Sr. Lockwood diz no primeiro capítulo do romance: “A propriedade do Sr. Heathcliff chama-se, adequadamente, Wuthering Heights, sendo wuthering um significativo adjetivo provinciano para designar o tumulto atmosférico ao qual ela está sujeita em tempo tempestuoso.”[4] Neste monodiálogo que estabeleço. Quero dizer o que aprendi sobre o abandono e a vingança. Quero fazer diferente desta vez.



2   2. Tornar-se vingança
            
A primeira questão que quero colocar é: qual é o assunto do livro O morro dos ventos uivantes? Trata-se da mais poderosa história de amor já escrita no Ocidente? É um tratado sobre a vingança? Pode ser lido como um estudo das diferenças entre as classes sociais? O assunto é o mal, como percebeu Bataille? Acredito que o livro pode ser cada uma destas coisas, ou todas elas ao mesmo tempo. Cada narrativa fala de um modo distinto para diferentes leitores. Aqui pretendo tratar apenas da vingança, embora, para tanto, tenha de recorrer a acordes incidentais como, por exemplo, a ânsia de reconhecimento – justificada - por parte de Heathcliff.
No enredo de O morro dos ventos uivantes, o que impede a união entre Cathy e o herói cigano, muito mais que a questão entre natureza e cultura[5], é o abismo social que, no fundo, separam os dois irmãos-amantes. Na noite em que Heathcliff vai embora, ele ouve Cathy dizer a Nelly:

- Separação! Abandono! – exclamou ela, com um acento de indignação. – Quem nos vai separar, diga? Quem ousará? Enquanto eu viver, ninguém, Ellen! Todos os Liton deste mundo poderão morrer, antes que eu consinta em esquecer Heathcliff! Não é isso o que eu pretendo...  não é isso o que eu quero dizer! Jamais me casaria com Linton, se um tal preço me fosse exigido! Heathcliff será para mim o que sempre foi, toda a minha vida. Edgar terá de colocar de lado a antipatia que lhe tem e tolerá-lo, ao menos. Ele o fará, quando perceber o que eu sinto por ele. Nelly, vejo que você me considera uma terrível egoísta: mas nunca lhe passou pela cabeça que, se eu e Heathcliff nos casássemos, seríamos uns pobretões? Enquanto se eu me casar com Linton, poderei ajudar Heathcliff a subir e coloca-lo fora do domínio do meu irmão.[6]

Palavras duras de se ouvir, principalmente para um caráter orgulhoso como o do nosso herói. Heathcliff já se ressentia por sua orfandade, sua origem cigana. Queria ser reconhecido como um igual, um Earnshaw; mas, ao ouvir tais palavras, algo deve ter se quebrado dentro dele. A inocência morrera de vez. Nesta noite, ele partirá por três anos e, quando voltar, há de exigir duas coisas: reconhecimento e vingança. Sua ira não encontrará limites.
Segundo Peter Sloterdijk, as energias ligadas à ira, para os gregos thymós, são aceitas tanto por Platão, quanto por Aristóteles. Para o primeiro, a ira encontraria lugar na cidade dos filósofos, “uma vez que a polis governada racionalmente também precisa de militares que figuram aqui como a classe dos “guardiões”.”[7] Para o segundo, a ira legítima teria ouvidos à razão, seria apropriada para combater as injustiças, mas apenas como aliada, tendo a razão por carro-chefe. O problema com o protagonista de O morro dos ventos uivantes é que a ira se torna o comandante do navio que tem por destino apenas a gana de reconhecimento e a vingança. Tudo o mais será secundário, acessório. 
Heathcliff é um homem selvagem, orgulhoso, duro; mas, no livro, encontramos poucos casos de violência física. Sua violência e força são sempre tratadas de maneira espiritual. O que ele almeja é estar à altura. Como mostramos num dos fragmentos anteriores, ele confessa a Nelly que, mesmo derrubando Linton vinte vezes, por ser mais forte e enérgico, ainda assim “isso não o tornaria [Linton] menos bonito nem a mim menos feio. Como eu queria ter cabelo louro e pele clara, vestir-me e comportar-me bem e ter uma chance de vir a ser tão rico quanto ele!”[8] A thymós grega tratada de modo civil transforma-se em ânsia por reconhecimento. Ainda conforme Sloterdijk (2012, p. 38 ):

Uma vez que thymós condicionado de maneira civil é a sede psicológica da aspiração ao reconhecimento apresentada por Hegel, torna-se compreensível porque o reconhecimento não concedido por outros homens relevantes causa ira. Quem exige reconhecimento de um outro determinado submete este outro a um teste moral. Se o interpelado se recusa a passar por essa prova, precisa se confrontar com a ira daquele que apresenta a exigência, já que este se sente desconsiderado. A exaltação irada acontece inicialmente quando o reconhecimento do outro me é subtraído (algo em razão do que surge a ira voltada para fora). No entanto, ela também se dá quando nego reconhecimento a mim mesmo sob a luz de minhas ideias de valor.

O fragmento parece ser escrito sobre o próprio Heathcliff. A ânsia pelo reconhecimento de outros homens, os Linton, o próprio Hindley Earnshaw, a dor de ser preterido por pena... Tudo isso desperta a ira. O menino cigano exige ser reconhecido como um igual, mas quando os interpelados se recusam a passar por essa prova, precisarão se confrontar com a ira daquele que apresentou a exigência. “Em ofensas que adoecem, a vingança é certamente a melhor terapia”[9]. Daí para a frente, Heathcliff já não será um ser humano, mas um destino, UMA VINGANÇA. Mesmo que essa vingança represente sua própria ruína. Por três anos ele desaparecerá. Quando voltar, será um cavalheiro abastado, mas cada dia mais avarento. Fugirá, para desposar, sem o menor traço de amor, Isabela, a irmã de Edgar Linton e com ela terá um filho. Lançará mão sobre todos os bens de Hindley, então um beberrão e jogador compulsivo. Quando a primeira Cathy morrer, logo depois de dar à luz a outra Cathy, sua filha, a ira de Heathcliff crescerá em proporções descomunais. Ele casará seu filho e a prima, Cathy, filha de Edgar Linton e a Catherine-mãe. No fim das contas, Heathcliff herdará tanto o morro dos ventos uivantes, quanto a residência que pertencia aos Linton. Pensando ter realizado por completo sua vingança, Heathcliff perceberá, entretanto, nos últimos descendentes das famílias Linton e Earnshaw o olhar de seus antepassados e se lembrará do amor entre ele e Cathy. Com sua vingança completa – o ódio não é o real é a ausência de amor - Heathcliff morrerá louco e só. Como último desejo, será enterrado junto ao seu grande amor, Catherine. Daí por diante, muitos jurarão ver sempre um casal vagando pelas charnecas do morro.

3   3. Heathcliff e eu: a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena[10]


Corria o último ano da década de 1980. Dormíamos, meu irmão mais velho e eu, no mesmo beliche, eu embaixo, ele em cima. Ele era três anos mais velho que eu. Hoje isso não é muito; mas, quando um tem dez e outro treze anos; um já é homem e o outro, menino. Durante a noite, costumávamos conversar antes de o sono chegar. Tínhamos um rádio relógio com os números vermelhos digitais que colocávamos para despertar às seis e vinte da manhã, bem a tempo de nos aprontarmos para a escola. Antes de dormirmos, entretanto, deixávamos o rádio ligado, sintonizado na estação Antena 1 FM, que só tocava músicas calmas, clássicos românticos na maioria das vezes. Desde pequeno, nunca soube o que fazer das minhas emoções. Toda vez que tocava uma música estranha, meio fantasmagórica, cantada por uma mulher de voz aguda, eu chorava[11]. Não conseguia me segurar. Na parte de cima do beliche, meu irmão perguntava:
- O que é que tu tem, Dan?
- Nada não – respondia. Meninos não choram. Que havia de errado comigo? Será que era um mariquinha?
Não, estava era apaixonado. Não pela professora, nem pela namorada do meu tio. Embora também tenha me apaixonado por elas por um curto período. Eu me apaixonava muito fácil naquela época. Meu coração é um balde despejado. Eu amava R., 16 anos, irmã mais velha do meu melhor amigo W. que, naquela época, tinha onze. Ela era mais que linda! A descrição de Catherine Earnshaw cairia como uma luva. Todos os dias, quando chegava da escola, lavava a louça, varria a casa, nossos pais trabalhavam fora, e partia para a casa de R. e W.. Lá, passava o resto da tarde, jogando conversa fora, ouvindo música, brincando com a cachorra deles. W. tinha outras quatro irmãs mais velhas; todas elas gostavam de mim. Abraçavam-me, cheiravam-me, encostavam os seios no meu corpo pré-adolescente. Diziam que eu era igualzinho ao irmão delas. Como eu era um ano mais novo que ele, era considerado o caçula da família. Já disse, todas eram lindas e gostavam de mim, como menino e não como homem. Também, eu era menino mesmo, não tinha um pentelho sequer no saco. De minha parte, só amava R.. Cada dia mais, mais, mais, mais, mais, mais, ad infinitum... E, durante a noite, a programação se repetia na rádio e eu ouvia aquela canção que me criava bolhas na alma. 
Um dia, tomei coragem e confessei a W. tudo o que sentia por sua irmã. Pensei que ele fosse ficar bravo... Considerar uma traição... Uma pilantragem... Mas, que nada, ele ficou foi feliz. Bolamos juntos um plano para eu me declarar a R.. Seria naquela tarde mesmo. Dois malucos. Ela estava passando roupa na sala, o rádio ligado:
- R., o Dan tem uma coisa pra te dizer.
Ela sorriu, as sobrancelhas levantadas.
- Pois diga.
Tentei dizer algo do que sentia, aquilo cujo nome desconhecia por completo, mas cadê voz? Por três ou quatro vezes abri a boca, mas nada saía. Já estava até gostando daquela sensação: o coração disparado, sensação que mais tarde encontraria na cocaína, quando consegui dizer:
- Eu gosto de você.
Ela riu, largou o ferro de passar e me abraçou. Senti a humilhação no mesmo momento. 
- Também gosto de você, mas é como um irmãozinho.
Fui embora chorando. W. atrás gritando meu nome e advertindo a irmã:
- Tá vendo o que você fez, tá vendo o que você fez!
Dias mais tarde, sentado com outros meninos nos degraus da Igreja da vila, batendo papo antes de a noite cair e termos de entrar para casa, vi R. passando na garupa de uma motocicleta vermelha. 
Passaram-se sete anos. W. e eu continuamos amigos, mas nunca mais entrei na casa deles. Eu virei gótico, comecei a ouvir bandas como The Cure, The Smiths, Bauhaus, Sisters of Mercy, Ultravox, Cocteau Twins e li, reli, tresli, o livro que acompanharia pelo resto da vida: O morro dos ventos uivantes.
Num sábado à noite, W. eu e mais um pessoal combinamos de ir à cachoeira, no dia seguinte. Eu iria na garupa do meu amigo W., afinal ele tinha comprado uma moto e eu era menor de idade. Nesta noite, bebi demais e, dia seguinte, não consegui acordar. Eram seis horas da tarde, mais ou menos, domingo, quando chegou a notícia:
W. estava morto.
Ele era um menino bonito, os mesmos olhos da irmã. Lá na cachoeira, umas meninas deram em cima dele. Os rapazes que estavam com elas não gostaram. Discutiram. Ele montou na moto e tentou ir embora, mas antes de partir, levou um tiro na nuca. Eu devia estar lá, na garupa, e receber aquele tiro, mas escapara graças à bebida. Depois dizem que bebida só traz desgraça.
Dia seguinte, no velório, R. veio chorando me abraçar. Eu tinha lido O morro dos ventos uivantes. Dei dois passos para trás e ofereci apenas minha mão. Eu-Heathcliff. Ela apertou minha mão e foi chorar abraçada às irmãs. Agora eu não chorava mais. Fiquei sim, com a moto de W.. O pai dele não suportava olhar para ela. Esta moto, entretanto, jamais funcionou.
Como no romance, muitos anos mais se passaram, feito sopro. Casei, estudei, trabalhei, li, ouvi, escrevi. Um dia, estava trabalhando pela primeira vez como mesário nas eleições e quem aparece para votar justo na minha sessão?
Isso mesmo: R.
Tinha agora mais de quarenta anos, era mãe, mas continuava bonita. Entregou o título de eleitor nas minhas mãos e sorriu, sem saber muito bem como se comportar. Sem saber se quem estava do outro lado era o menino que brincava de ser seu irmão mais novo, ou o jovem duro, misto de Daniel e Heathcliff. Peguei o documento da mão dela, sorri, abri os braços e ofereci meu abraço. Ela aceitou. Eu não queria terminar mal como o menino cigano do livro. Os olhos estalados, como que cheios de cocaína. A vida é breve e eu sinto sempre tanta dor; talvez por isto nunca tenha conseguido deixar de beber de fato. A maldade, irmãos e irmãs, já vimos demais. O abraço tem mais poder que a vingança.


Dados bibliográficos

BRONTË, Emily. O morro dos ventos uivantes. Trad. Vera Pedroso. São Paulo: Companhia Editora brasileira, 1971.
BRONTË, Emily. Wuthering Heights. London: HarperCollins Publishers, 2010.
SLOTERDIJK, Peter. Ira e tempo: ensaio político-psicológico. Trad. Marco Casanova. São Paulo: Estação liberdade, 2012.



[1] BRONTË, 1971, p. 99
[2] Idem, Ibidem, p. 73
[3] Idem, Ibidem, p. 44
[4] Idem, Ibidem, p. 20
[5] Embora ambos no início do romance fossem crianças selvagens, o rompimento se dá quando Cathy volta “civilizada” da residência dos Linton e Heathcliff se encontra ainda mais selvagem.
[6] Idem, Ibidem, p. 99
[7] SLOTERDIJK, 2012, p. 37
[8] BRONTË, 1971, p. 73
[9] SLOTERDIJK, 2012, p. 73
[10] Frase proferida pelo Sr. Madruga, personagem de Ramón Valdés na série Chaves.
[11] Na época eu não sabia, mas depois descobri que se tratava de Kate Bush cantando Wuthering Heights.