Eles eram jovens; mas, mais que isso, eles tinham a jovialidade de todos os começos. Aquela coisa adolescente de encontrar um companheiro para atravessar a loucura de mãos dadas... E ficar conversando sobre a vida, na cama, de mãos dadas... E chorar sobre as feridas, para logo em seguida gargalhar na cara do câncer. A força de um encontro não está em um e nem no outro, mas no entre. E aquelas crianças puras falavam de casamento e brincavam de casinha e até o chiclete mastigado compartilhavam. Isso era entrega, né? E confiança, e fé; em outras palavras, amor.
Mas os meninos.
Um dia, coisa besta, ele escorregou. Os meninos nunca enxergam as cascas de banana esquecidas no caminho. Vê-la chorando, e saber ser o motivo de cada lágrima, foi pior que facada. Ele sentou só, na escada da casa onde antes costumavam se sentar juntos. A cachorra deitou no colo. Ela já tinha partido. As meninas perdoam; mas, quando partem, não olham mais pra trás. Ele era um grande músico, reconhecido já, só que, depois que ela pegou a estrada de tijolos amarelos, nunca mais conseguiu fazer canção que valesse à pena; isso, que era a coisa mais importante pra ele –a música - já não tinha qualquer significado: ele sabia que nunca conseguiria se perdoar.
Seguiram.
O tempo. O tempo. O tempo.
Ela refez a vida. Dedicou-se à carreira. Casou-se com outro e se fortaleceu na força grande de um parceiro estável. Ele cambaleou pelo destino. Fez sucesso, ganhou dinheiro, seguiu; só que seguiu manco, meio penso para o lado esquerdo. Enquanto ela construiu um laço forte, ele se casou mais de dez vezes, sempre com meninas mais novas, as quais faziam de tudo pra cicatrizar aquela ferida que comia as próprias bordas. Como perdoar a si mesmo? Como? Era ele quem fumava mais de dois maços por dia, mas foi ela, ao lado do marido bom, quem primeiro adoeceu. Pela televisão, o velhinho que ele agora era viu a notícia de que ela tinha atravessado o umbral. Heathcliff agarrado a uma árvore em meio a ventania - murmurou sorrindo para os botões do próprio pijama:
- Eu também já estou indo, meu amor!
E cinco dias depois morreu. E foi enterrado numa tumba sem lápide, pois já ninguém sabia seu nome.🌻
Mas os meninos.
Um dia, coisa besta, ele escorregou. Os meninos nunca enxergam as cascas de banana esquecidas no caminho. Vê-la chorando, e saber ser o motivo de cada lágrima, foi pior que facada. Ele sentou só, na escada da casa onde antes costumavam se sentar juntos. A cachorra deitou no colo. Ela já tinha partido. As meninas perdoam; mas, quando partem, não olham mais pra trás. Ele era um grande músico, reconhecido já, só que, depois que ela pegou a estrada de tijolos amarelos, nunca mais conseguiu fazer canção que valesse à pena; isso, que era a coisa mais importante pra ele –a música - já não tinha qualquer significado: ele sabia que nunca conseguiria se perdoar.
Seguiram.
O tempo. O tempo. O tempo.
Ela refez a vida. Dedicou-se à carreira. Casou-se com outro e se fortaleceu na força grande de um parceiro estável. Ele cambaleou pelo destino. Fez sucesso, ganhou dinheiro, seguiu; só que seguiu manco, meio penso para o lado esquerdo. Enquanto ela construiu um laço forte, ele se casou mais de dez vezes, sempre com meninas mais novas, as quais faziam de tudo pra cicatrizar aquela ferida que comia as próprias bordas. Como perdoar a si mesmo? Como? Era ele quem fumava mais de dois maços por dia, mas foi ela, ao lado do marido bom, quem primeiro adoeceu. Pela televisão, o velhinho que ele agora era viu a notícia de que ela tinha atravessado o umbral. Heathcliff agarrado a uma árvore em meio a ventania - murmurou sorrindo para os botões do próprio pijama:
- Eu também já estou indo, meu amor!
E cinco dias depois morreu. E foi enterrado numa tumba sem lápide, pois já ninguém sabia seu nome.🌻