Vai vendo como o Diabo é sujo. Quando conheci Ana, ela já estava com passagem comprada para a Inglaterra, onde estudaria por dois anos; mas um coração serve mesmo é pra gente se apaixonar e não deu outra. Todas as outras eram vaidosas, quase artificiais. Ana não. Ela nunca se maquiava ou pintava as unhas. Era o que era e daí vinha todo seu encanto e magia. Naquele tempo, eu tocava baixo numa banda e ela começou a me acompanhar em todos os ensaios.
- Você vai ser meu John e eu serei sua Yoko.
- Mas quem tocava o baixo era o Paul.
- Então serei sua Linda.
E ela se sentava ao meu lado no sofá rasgado e me ouvia tocar. E eu a via e tudo nela era tão. Colamos, ora essa. O tempo era curto. Em dois meses, ela cruzaria o Oceano. A vida é a arte do encontro, embora haja tanto. Ao lado dela, eu me sentia como se estivesse com um amigo. E dizia tudo o quê. Ela também. Não tínhamos segredos; sequer sexuais. E a cama nos era suficiente. Às vezes, ficávamos dias deitados, revezando sexo, razão e chocolate. Paixão da grossa.
Uma noite, na cama, depois de termos devorado uma melancia gelada, o rosto dela se iluminou como se fosse tocado por uma luz sobrenatural, e meu coração se expandiu como se, e eu falei:
- Vou sentir sua falta quando você for.
- Eu também.
E sabe o que aconteceu depois? Chorei, lagarto. E ela me ofereceu o seio como se eu fosse uma cria faminta.
No dia final, fui levá-la ao aeroporto e nos despedimos apenas com um beijo no rosto.
- Desejo-lhe o melhor, Ana.
- Você não sabe onde eu estava quando me encontrou. Não havia luz lá, meu amorzinho. Você me salvou.
Avianca.
Olhos cheios de água.
Dali a dois anos, já não seríamos os mesmos. Esconderijos. Também o amor é uma questão de tempo. Ou acontece na hora exata, ou se perde. Às vezes você viaja e encontra, em uma parada qualquer, a menina que tem aquele olhar, mas ela está indo no sentido oposto ao seu...
Enfim, dali por diante, nenhum de nós seria o mesmo. Todo encontro nos acrescenta; seja pela dor, seja pelo prazer.
Como é rico viver!
- Você vai ser meu John e eu serei sua Yoko.
- Mas quem tocava o baixo era o Paul.
- Então serei sua Linda.
E ela se sentava ao meu lado no sofá rasgado e me ouvia tocar. E eu a via e tudo nela era tão. Colamos, ora essa. O tempo era curto. Em dois meses, ela cruzaria o Oceano. A vida é a arte do encontro, embora haja tanto. Ao lado dela, eu me sentia como se estivesse com um amigo. E dizia tudo o quê. Ela também. Não tínhamos segredos; sequer sexuais. E a cama nos era suficiente. Às vezes, ficávamos dias deitados, revezando sexo, razão e chocolate. Paixão da grossa.
Uma noite, na cama, depois de termos devorado uma melancia gelada, o rosto dela se iluminou como se fosse tocado por uma luz sobrenatural, e meu coração se expandiu como se, e eu falei:
- Vou sentir sua falta quando você for.
- Eu também.
E sabe o que aconteceu depois? Chorei, lagarto. E ela me ofereceu o seio como se eu fosse uma cria faminta.
No dia final, fui levá-la ao aeroporto e nos despedimos apenas com um beijo no rosto.
- Desejo-lhe o melhor, Ana.
- Você não sabe onde eu estava quando me encontrou. Não havia luz lá, meu amorzinho. Você me salvou.
Avianca.
Olhos cheios de água.
Dali a dois anos, já não seríamos os mesmos. Esconderijos. Também o amor é uma questão de tempo. Ou acontece na hora exata, ou se perde. Às vezes você viaja e encontra, em uma parada qualquer, a menina que tem aquele olhar, mas ela está indo no sentido oposto ao seu...
Enfim, dali por diante, nenhum de nós seria o mesmo. Todo encontro nos acrescenta; seja pela dor, seja pelo prazer.
Como é rico viver!
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