sábado, 4 de janeiro de 2020

ASAS

Quando criança, vivia num orfanato. Em tempo de piolho, tinha a cabeça raspada, o que era duro para uma menina em devaneio. Não havia princesas carecas; modelos tampouco. Adulta, ao ser diagnosticada com, recusou o tratamento e não havia outro motivo a não ser o apego às madeixas. Com muito custo, uma rede de mulheres convenceu-a, talvez tarde demais, a lutar. Ao caírem-lhe os primeiros cachos, contudo, viu brotar nas costas as penas primevas.
E até hoje ninguém descobriu se ela, no fim das contas, transformou-se num pássaro ou num anjo.🌻

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