Num tempo de Krill, Malta e Conti beer, ela me pagou dezesseis latas de Skol, numa festa, no campus da UNESP – ASSIS. De tarde, tinha feito calor; mas, no começo da noite, choveu. Mês de novembro. Naquela época, Rogê e Francisco ainda estavam. Naquela época, eu era um alcoólatra na ativa e ela me pagou dezesseis! Não era suficiente para me deixar, devo admitir, mas ajudava a atravessar a noite. Naquela época, vivíamos da Bolsa de Auxílio ao Estudante – dinheiro contado para o arroz-ovo e ela desfalcou seu orçamento para me pagar dezesseis. Eu, sem uma lata na mão, não cabia em canto. E ela sabia. E me amparou. Tivesse juízo, vazava na mesma. Ficou; ela, foi. Uma noite, assustamos a amiga: trocamos as camisas e, com elas, as personalidades: assumi seu modo de, a camiseta do Mickey, os trejeitos. Lembro da blusa branca com babados, antes da festa, da calça jeans, o sapatinho. E ela passando batom, diante do espelho oxidado, Betsebá, escovando os cabelos. Éramos muito pobres e muito lindos! Sonhávamos ser escritores, estudávamos o Francês. E atravessamos o pasto na ida e atravessamos o pasto na volta. Estrelas cadentes, a lua cheia, o céu de Assis, cheiro de estrume, castelos de ar: o ovo é o caos do pássaro, irmã. No palco, tocavam os Insetos. Eu tive um sonho estranho; paredes desmoronavam sob o peso.
E voltamos, foi, e fizemos, como fazíamos todas as noites, sob as cobertas. Foi.
Não dissemos. Oh, não!
Mas lembro ter pensado de mim para comigo: “acho que estou”.
Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário