Quando foi para a Universidade, aprimorar seu treino como maratonista e, de quebra, conseguir um diploma de nível superior, Ed. Wilson já corria quinze quilômetros em menos de quarenta e cinco minutos. Era tido por muitos como gênio do esporte, ainda que treinasse em estradas de terra, no meio do canavial. Já em seu primeiro treino oficial, deram-lhe uma parafernália de equipamentos. Segundo o instrutor, Ed. Wilson não podia chegar assim e simplesmente correr. Primeiro, seria preciso passar uma gama infinita de etapas. Para começar, deveria correr com um suporte para as pernas, de modo que não forçasse demais os músculos. Tratava-se de um suporte igual àquele que Forrest Gump usava na infância. Com tal equipamento, Ed. Wilson foi um corredor medíocre, em nada se destacou dos demais. Havia regras para correr, sim senhor; de modo que ele não podia chegar e simplesmente dar seu pinote. Por quinze meses, treinou com o suporte para as pernas. Depois disso, permitiram-lhe correr sem tal equipamento. Ed, no entanto, tinha praticado tanta musculação e perdera de tal forma a naturalidade que seu tempo para percorrer os mesmos quinze quilômetros subira para mais de cinquenta minutos:
- Agora o senhor começa a entender do que se trata – disse o técnico, no final de mais um dia de treinos.
Mas Ed. Wilson, seguro de si, retirou o par de tênis e atirou no peito do treinador. Não queria disputar. Não lhe interessavam títulos. Voltou para as estradas de terra, no meio dos canaviais e é lá que corre até hoje.
- Ele poderia ter sido o maior de todos – disse o treinador, em entrevista outro dia, sem entender ainda que Ed. gostava de correr e não de competir.
terça-feira, 24 de março de 2020
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