quarta-feira, 4 de março de 2020
COMENTÁRIO A RESPEITO DE JOHN
Não fui eu quem apertou o gatilho; mas, para dizer a verdade, como qualquer garota que cresceu nos anos sessenta, sou tão culpada quanto. O meu inconsciente, assim como o inconsciente do mundo inteiro, reuniu-se numa única frequência vibratória para, feito raio, odiar e atingir Yoko Ono. Ela era a periguete, a garota do outro bairro que roubou nosso namorado na saída da escola. Tudo arquetípico. Em silêncio, todas imaginávamos mortes com requint...es de crueldade para a ridícula e sua voz de marreco rouco. De John, por outro lado, você podia dizer qualquer coisa, menos que fosse frio ou covarde. Eu não esqueço: “a felicidade é uma arma quente”. E foi o amor de John Lennon o que protegeu aquelazinha. Por mais energia escura que o mundo inteiro enviasse, o amor dele sempre era maior e dissolvia a ira quando ela, a ira, adentrava a esfera. Mas o Diabo é sujo e o mal não prejudica só seu objeto - nunca se pode confiar no demônio -, aquele que deseja o mal, também é vítima de seus efeitos. O mal que você deseja, acaba por votar-se contra você. E, mais de uma década depois, Mark Chapman apertou o gatilho e disparou a bala que mirávamos em Yoko; mas que, por carma ou ironia, acabou por acertar John - aquele a quem amávamos -; em frente ao Edifício Dakota
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