Você não precisa, necessariamente, do viés religioso. Pode-se muito bem ler os evangelhos sob uma perspectiva literária e, neste sentido, creio que Jesus é a figura religiosa mais poética de todos os tempos. Nem Dickens, nem Hardy, transitam pela vida humilde com tanta beleza. Você consegue imaginar um Deus carpinteiro? O maior homem do mundo andava no meio das pessoas simples, de todos os desprezados pela sociedade: dos leprosos, aos pescadores e às putas. A biografia de Sidarta Gautama também é bonita e a vida dos dois maiores homens de todos os tempos têm muito em comum; mas, enquanto um era príncipe, o outro era carpinteiro. Nem melhor, nem pior, nem igual. Há muito que se resgatar nos evangelhos neste momento em que a mensagem é deturpada com virulência de fake news. É tudo tão simples: se você é cristão, vá ao texto. Se não é, vá ao texto - pelo aspecto poético. Vou falar um pouco sobre a tristeza de Jesus e de sua solidão. Há momentos em que leio o evangelho e sinto muita pena do Mestre; porque, embora estivesse quase sempre acompanhado, ensinando os homens sobre sua própria força interior, ninguém nunca O acompanhava. Ele era um corredor de maratona e os outros estavam paraplégicos. Cristo está o tempo todo se retirando pra sua solidão. Entre os homens, não havia um irmão que o compreendesse. A única compreensão possível era no plano transcendental. Quanto mais alto você está na montanha, mais frio e solitude sente. Ele vai pro deserto, Ele está distante no episódio em que surge caminhando sobre as águas; mas, pra mim, o momento mais triste e bonito é em Getsêmani, quando Jesus chora sangue e diz: “minha alma está profudissimamente triste até a morte!” O Mestre sabe que vai morrer e a solidão se torna ainda maior. Ele sabe da traição e da negação. No entanto, aceita seu destino: o frasco precisa se quebrar para que o perfume se espalhe pelo mundo. E, nas piores horas de sua curta vida, Jesus de Nazaré se sente sozinho, em completo abandono; até Pedro o negará - mas dessa negação, necessária, nascerá em cada discípulo a força futura pra enfrentar a morte; a resiliência que cresce em nós quando dizemos: "eu me acovardei uma vez, mas não mais." É como acontece com o índio de Gonçalves Dias.
Veja bem, o momento mais triste de todos, aquele instante em que quero pegar meu Deus no colo e acariciar seu cabelos, é justamente na hora mais humana: a hora da morte. Tenho certeza de que a Divindade falava com o carpinteiro todo o tempo, até comigo, que não passo de um idiota, Ela fala; mas no momento de maior dor e solidão, a voz se cala e, apenas mais um homem morrendo a morte mais dolorosa de todas, Jesus, o coração dilacerado, pergunta: “Pai, por que me abandonaste?” É literatura de arrepiar os pêlos dos braços.
Cristo não morreu pelos seus pecados, meu irmão. Ele morreu pra mostrar que era um ser humano exatamente igual a você, com fraquezas, vulnerabilidades, sujeito à raiva e ao medo. Por outro lado, viveu para mostrar como transcender tudo isso, por meio da compaixão, da humildade, do desapego, do amor, da ternura, da delicadeza; enfim, do coração sem contorno. Simples assim.🌻
Veja bem, o momento mais triste de todos, aquele instante em que quero pegar meu Deus no colo e acariciar seu cabelos, é justamente na hora mais humana: a hora da morte. Tenho certeza de que a Divindade falava com o carpinteiro todo o tempo, até comigo, que não passo de um idiota, Ela fala; mas no momento de maior dor e solidão, a voz se cala e, apenas mais um homem morrendo a morte mais dolorosa de todas, Jesus, o coração dilacerado, pergunta: “Pai, por que me abandonaste?” É literatura de arrepiar os pêlos dos braços.
Cristo não morreu pelos seus pecados, meu irmão. Ele morreu pra mostrar que era um ser humano exatamente igual a você, com fraquezas, vulnerabilidades, sujeito à raiva e ao medo. Por outro lado, viveu para mostrar como transcender tudo isso, por meio da compaixão, da humildade, do desapego, do amor, da ternura, da delicadeza; enfim, do coração sem contorno. Simples assim.🌻
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