quarta-feira, 4 de março de 2020

COMENTÁRIO A RESPEITO DE JOHN II – O PÂNICO DO INCESTO

 John Lennon nunca conviveu muito bem com sua mãe, Júlia. Aos cinco anos, seus pais se separaram porque Alfred, o pai, era marinheiro e, enquanto estava no mar, Júlia tinha casos. Num desses, acabou se apaixonando. Era uma mulher muito erótica e, para os padrões dos anos quarenta, podia até ser considerada uma. Quem criou John foi a rígida irmã mais velha da mãe, a tia Mimi, com a qual, por mais que tentasse, o menino rebe...lde não conseguia se identificar. Quando John se tornou adolescente, aconteceu uma aproximação maior com a mãe, ela também era ligada em música e até tocava alguns instrumentos. Deste modo, era na casa de Júlia que John e seu amigo Paul iam ensaiar, às vezes, para escapar às críticas da tia. Há, na biografia de Philip Norman, o relato de um incidente em que um John Lennon adolescente estava deitado com a mãe, na cama, conversando sobre música e teve uma ereção. Esse episódio aterrorizou o menino ao longo da vida e, segundo o biógrafo, só encontrou vazão durante a terapia do grito primal, da qual John participou nos anos setenta. Um dos primeiros tabus da humanidade, sugerido por Freud em Totem e tabu, foi o tabu do incesto. Por causa da culpa advinda do assassinato do pai, os irmãos estabeleceram tal tabu: os membros de uma tribo jamais poderiam se casar com mulheres da mesma tribo, ou a guerra se instauraria entre os irmãos. Muito antes da tábua de Moisés, o incesto foi instituído como pecado: começava a civilização. Agora a hipótese: a grande paixão de John Lennon, todos sabemos, foi Yoko Ono, uma mulher mais velha – a madre superiora – de uma origem étnica completamente distante. E mais: há rumores de casos homossexuais e, mesmo a amante, May Pang, era chinesa. Talvez um dos motores do amor de John por Yoko fosse o pânico do incesto. Qualquer mulher que pudesse provocar vaga lembrança da mãe instaurava o pânico. Claro, houve Cíntia e várias meninas ao longo da vida; mas com Cíntia, todos sabemos, não foi amor.
E talvez não também, talvez toda essa coisa freudiana que falei não passe de bobagem. Talvez fosse só o amor mesmo acontecendo sem qualquer explicação😉!

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