quinta-feira, 30 de abril de 2020

ZÉ GERALDO



Tudo aconteceu no dia em que o Mário Covas morreu. Hoje, ela não bebe mais; mas, durante muito tempo, Catirina. Naquele dia, ela tinha dezoito anos e desenhava HQ; e aí tomou um dos primeiros porres de uma longa carreira. Cagou e mijou na roupa. A mãe foi buscá-la e, enquanto lavava as partes íntimas, repetia: "Que nojo, sua porca! Porca! P-O-R-CA!" Catirina já não bebe. Milagre. De certo modo, superou o alcoolismo ativo, mas desenvolveu compulsão ainda pior. Ela tem a boceta em carne viva de tanto que a lava. Já usou, para a higiene íntima, água sanitária, escova de roupa e até palha de aço. Ainda assim, sente-se imunda. Eu acho que ela tem - sempre - cheiro de lírio do brejo, mas não tenho coragem de dizer. Sou só o louco quieto ao lado.

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