terça-feira, 7 de abril de 2020

SOBRE MURDER MOST FOUL

Lembrei-me na hora do poema América, do Ginsberg. Da tradição americana de cantar o país - violento ou belo, amoroso ou cruel - que tem em Whitman seu expoente. Ecos de Cormac. A história subjetiva se confunde com a história da nação, como em Kerouac ou Jack London. Tudo isso com a mais bela trilha sonora, a qual vai de Stella by Starlight a Tommy, dos Beatles ao Fleetwood Mac, passando por Etta James, Stan Getz, Charlie Parker e mais um monte de sonzeira bonita. Estruturalmente, as repetições - a palavra PLAY com seus múltiplos significados - também nos remetem aos longos poemas norteamericanos. Lembram-se de Kadish?
Como no conto O outro, do Borges, um Dylan envelhecido encontra o jovem Bob. Quanta água de lá para cá, não é garoto? "Vocês sabem que eu sou?" Pergunta Kennedy no início da letra. Ao que o jovem de Duluth e seus amigos folkers respondem: "É claro que sabemos, Senhor Presidente!"
Piano, cello, algum violino, tudo tão terno,delicado e sábio. Sabedoria da maturidade. Trata-se de um poema com fundo musical, mas um fundo tão amoroso que nos transporta também àquele fatídico dia em Dallas. O que os Estados Unidos tem de melhor são sua música e literatura.
Dylan é um mestre em ambas as artes.🌻

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