quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

QUALQUER MANEIRA DE AMOR

O que é melhor, meu irmão, o ódio ou o amor? Se você respondeu o ódio, deve estar sofrendo mais do que é suportável e eu me solidarizo com sua dor. Se respondeu amor, eu complementaria que o amor, como tudo que é vivo, quer se expressar e que, dentre as muitas formas de se expressar o amor, o sexo é uma delas. Você poderia me falar da tal ordem natural das coisas e eu responderia que a ordem natural entre almas é o que vale, sabe? Há muito, o sexo humano se distanciou do animal e, mesmo no sexo animal, há inúmeras espécies que se relacionam com seres do mesmo sexo. O sexo animal é para a reprodução. O sexo humano pode ser uma necessidade física; mas é, sobretudo, expressão de amor. Se fôssemos falar de ordem natural, teríamos de excluir todos os métodos contraceptivos. E, mesmo o nosso presidente tão conservador, fez duas vasectomias numa só vida. Então, que problema há no modo como duas pessoas que se gostam expressam esse amor? Se elas se abraçam, se apertam as mãos, se se beijam, ou se transam, que mal há? E, ainda que não seja amor, no modo como duas pessoas sedentas saciam sua sede? O problema? Qual? O macaco deseja banana; a vaca, o capim; mas eu almejo a felicidade; o outro deseja um carro; um terceiro, conhecimento. O desejo no ser humano também é bem diferente. Se você crê que temos uma alma por que, quando se trata de sexo, acha que devemos nos ater ao animal? Eu fecho com o Rosa: "qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura". Tudo o que precisamos: mais amor e menos julgamento; mesmo porque o próprio amor é já a ausência de julgamento.

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