Talvez, nosso maior problema seja gramatical: a estrutura sujeito, verbo, objeto. Como se houvesse um sujeito - ponto zero - do qual partiria determinada ação. Na verdade, é bem o contrário; não foram Hitler ou Napoleão que fizeram história, mas a História que produziu tanto um quanto o outro. Nossa vaidade não dos deixa ver que nada fazemos, mas somos conduzidos pelo invisível. A razão nada pode aí, a não ser que seja o caso de um iluminado, porque aquilo que nos conduz captura-nos pelo inconsciente. Nem tudo é matéria e o raio tem poder de cindir toda pedra. Pode ser que cada um de nós, com seus traços de caráter, personalidade, inteligência e tudo o mais, não sejamos mais que peças num tabuleiro de xadrez - sonhando livre-arbítrio - jogado sabe Deus por quem. Alguns têm movimentos e características mais limitadas e são peões; outros são a Torre, o Bispo, o Cavalo. Talvez a mesma peça seja remontada no tempo com outros atores: o drama e a farsa, o eterno retorno; mas tal qual a peça nunca é exatamente a mesma a cada apresentação, aquilo que se repete historicamente também não é o mesmo, mas o círculo descentrado, o movimento em espiral, o tempo fora dos eixos. Estar atento aos movimentos do círculo é saber pra onde caminha a espiral, é ser profeta: fornos no futuro.
Estamos na nascente de uma violência monstruosa.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário