quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

VERMELHO

Eu queria ter um amigo calmo
Que sabendo que não posso beber
Me oferecesse um café e um pedaço de queijo
E, me abraçando, dissesse que tudo vai terminar bem
Eu queria ter um amigo em cujo colo pudesse descansar
meus tantos tormentos
Queria um amigo otimista, sem ser banal
Um companheiro pras horas difíceis da vida
Um cara que compreendesse os buracos e ribanceiras da estrada
E me lembrasse um pouco a paz de Minas Gerais
Um sujeito simples, honesto, sem competição
Que me vendesse o carro velho sem pensar em lucro
E, boiadeiro, tocasse em frente
Um amigo a quem eu também ajudaria
Porque sou sincero e amoroso
Queria tanto um amigo que dissesse que isso faz parte da vida
E que é normal se sentir tão só, mesmo no meio do mundo véio sem porteira
Queria um amigo para os dias de chuva e de sol
Alguém que me ajudasse a cantar a canção
E que, mesmo sem instrumento, batesse as palmas das mãos
Queria tanto ter um amigo - e tenho muitos,
Mas todos estão dispersos pelo mundo,
Disfarçando suas próprias feridas.

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