terça-feira, 6 de agosto de 2019

TUDO O QUE NÃO FOR ERGUIDO SOBRE AS BASES DO AMOR SERÁ DESTRUÍDO

TUDO O QUE NÃO FOR ERGUIDO SOBRE AS BASES DO AMOR SERÁ DESTRUÍDO; mas o Amor, que fique claro, é libertação, ausência de egoísmo, doação pura sem espera de. O AMOR NÃO IMPÕE CONDIÇÕES – diria Diadorim -; é algo que a gente tem ou não tem; não depende do outro. Primeiro é preciso soprar essa chama quase apagada, fazê-la reviver, dançar, ganhar força em nosso próprio coração; daí em diante, será só transbordamento. Um coração cheio de amor está vazio de exigências. E, mesmo os bichos, as flores, os bebês sentirão nosso amor; mesmo a terra, mesmo os objetos inanimados como um chapéu, um tênis velho na capa de um disco, uma vitrola quebrada. A Divindade é a mesma, mas não é igual, o númeno, ao se tornar fenômeno, adquire as tintas do que é temporal, cultural, telúrico; daí as tantas religiões dizendo sempre o mesmo, mas nunca o igual. O amor é como a Divindade, é o outro nome Dela, ele é o mesmo amor, mas a mãe mima um filho e corrige o outro, porque o amor dá aquilo que o indivíduo precisa e não o que quer. O meu amor para alguns dá dinheiro; para outros, colo; para terceiros, choque - desfibrilação - com intuito de que despertem. Às vezes, dá mais de uma coisa à mesma pessoa dependendo do momento. O amor tanto anda de mãos dadas quanto transa forte e o sexo é talvez a forma mais sublime de transfusão do amor. Mas que merda nós fizemos do sexo, não é mesmo? Às vezes, somos amigos da pessoa por dez anos e sempre doamos, o tempo todo; mas basta a gente dormir com a pessoa para começar a cobrar, querer possuir, o sexo foi sequestrado pelo Espírito de Posse e o amor morre em gaiolas. É triste olhar o passarinho morto dentro da gaiola e ainda espernear, brigar, exigir que ele cante. Outro dia falo mais sobre o sexo. Hoje digo: nunca fizemos um sexo tão ruim. Nosso sexo é um subproduto do materialismo, o outro é mercadoria para o meu prazer e ainda chamo isso de liberdade. E reclamo por não ter prazer. No fim das contas, os machões e as radfems são o mesmo: na China sempre souberam que os opostos se engendram: “Transo com quem eu quero e viso o meu prazer”. Isso não é amor, é egoísmo, masturbação, capitalismo, mercantilização do outro: o horror, o horror! Outro dia. Volto ao amor para encerrar. Quando passei mais de mês no Manicômio, era inverno no pé da Serra em Itapecerica. Fazia frio à vera e eu não tinha cobertores. Veio um menino do Rio, traficante, que nunca tinha me visto, e me deu um par de meias e me emprestou uma de suas cobertas, ele só tinha duas. Dias depois, minha mala chegou e a primeira coisa que vi, quando abri, foi o cobertor do Ben 10 do meu filho para que eu sarasse da cabeça e me abrigasse do frio. Naquele momento, o amor se fez esse cobertor. Bom dia!

Nenhum comentário: