Tomo remédios controlados que me mantêm de pé e funcional. Sem tais remédios, não funciono. De noite não durmo e, quando amanhece, o dia me esmaga e não consigo levantar da cama e, quanto mais fico na cama, mais sofro. Fico sem saída. Como aqueles caras dos filmes de ação que ficam presos numa máquina de comprimir carros... paredes de ferro se fechando... portas trancadas... desespero... sem fuga possível. Minha mente e meu coração dizem que estou encurralado e todo esforço resultou vão: Bolsonaro é presidente! E oito em cada dez seres humanos são irremediáveis filhos da puta: destros ou canhotos. Não é o fim do mundo, tem gente com câncer terminal por aí. Por outro lado, se esses remédios que tomo estabilizam minha rotina, também bagunçam meus hormônios. Se não me escondo embaixo da cama, também não tenho vontade de ir a um show de rock. Fico qualquer nota e o desejo sexual se torna estranho, o ato parece um arroz sem qualquer tempero; alimenta, mas não tem sabor. Não sinto o pênis, é como se tivesse usando uma dúzia de preservativos. E aí, quando quero me entregar a alguém de verdade, tenho de escolher entre funcionar ou amar; mas, quando amo sem a medicação, embora consiga incendiar a cama, fico perdido na vida e sofro e faço o outro sofrer e o amor germina, só que não floresce, morre antes de abrir a primeira flor. Acabo vesgo, minha cabeça entende tudo errado.
Eu só queria duas coisas: amar plenamente e funcionar no cotidiano, mas parece que é almejar muito. Tenho de escolher. De qualquer modo, não é o fim do mundo. Entre cair e levantar, vou seguindo a travessia. Como disse, tem gente com cruzes bem mais pesadas. Não tá fácil pra ninguém mesmo. Bom dia! Hoje é um bom dia pra seguir adiante.🌻
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