quinta-feira, 1 de agosto de 2019

CIGANO

nasci do vão que treme entre duas placas tectônicas. Mamei do magma das fissuras. Então se achegue com cuidado, maninha; pois posso incendiar teu ventre com minha indigência. Mas meu fogo, depois do gozo, é puro carinho e cuidado. Eu queria te levar ao silêncio de onde nascem todos os poemas. E andar com você, mãos dadas, pela quina. Acho que é amor. Ou, no mínimo, dispersão. Não tenha medo. Segura o calor. Essa labareda estendida é só minha mão. Vem, é tempo de ser Sol e ensinar o mundo a tecer manhã.

Nenhum comentário: