Nós a chamávamos Diana, mas bem poderíamos tê-la chamado de Doçura. Era uma cadelinha preta, com uma mancha branca na nuca. Apareceu aqui na rua ninguém sabe de onde. Os meninos diziam ter visto um carro deixá-la, de manhã, bem cedo, antes da aula e, depois, partir cantando pneus. Diana ficou. Mendigando afeto. Como ninguém podia levá-la para casa – eu mesmo tenho três cachorros; estabeleceu morada no ponto de ônibus. E cada passageiro que esperava, fazia um afago, deixava alguma coisa para ela comer, seguia seu destino. Diana agradecia; dócil, abanando o rabinho que também tinha uma mancha. Algumas vezes, quando saía para caminhar, ela me acompanhava, vinha colada ao meu corpo e, quando algum cão de rua latia, escondia-se atrás das minhas pernas. Coitada, achava que eu era capaz de alguma coisa. Todos os vizinhos colocávamos comida e água. Não havia um combinado. Quem visse as tigelas vazias, simplesmente as enchia. Ninguém, no entanto, pensava em levar Diana de fato para casa. Pressupúnhamos que ela estivesse bem. Era gostoso acordar de manhã, para o trabalho, e vê-la subir na porta do carro, para dar bom dia, enquanto esperava o portão fechar.
Pois bem.
Essa madrugada, alguém, não se sabe porque cargas d’água, esmagou o crânio da cadelinha com um bloco de concreto.
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