O fantasma precisa do humano
Não porque quer assombrar
Mas pela necessidade de colo e compreensão
Quando há alguém em quem pregar peça,
Acreditamo-nos palpáveis, ao menos;
Quase vivos; quase crianças
Quando, porém, um espectro vaga só
Em seu castelo escuro
Pesadas correntes presas a um afeto morto
A cada dia ficamos mais invisíveis
Até desaparecermos para os outros e para nós
Até que os lençóis de linho se dissolvam
Até que não reste rastro de um ser humano
Ou de uma assombração
Até que o tempo grande se revista de um grande nada sem fim.
quinta-feira, 7 de maio de 2020
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