O marido tinha um senso de humor peculiar; parecido com o do protagonista de Ensina-me a viver. Alguns dias, antes de trabalhar, enquanto tomava café, brincava dizendo que odiava tanto o emprego que um dia jogaria o carro de frente com um caminhão só pra se livrar. Ela não ria, ralhava. Qual não foi seu espanto, certa manhã, ao ligar a televisão, num desses programas matinais, e reconhecer o carro do marido envolvido num acidente. O motorista morrera carbonizado. Só a placa do veículo permaneceu intacta. Pelo resto da vida, ela teria de conviver com a pergunta: acidente ou suicídio? O sorriso triste - sempre triste - dele!
Simplesmente não conseguia entender.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
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