Forçado ou consentido, aquilo que aconteceu em Paris foi um crime contra o sexo amoroso e a expressão fazer amor. Somos, de modo geral, seres confusos e todas as nossas ações, realizadas a partir de tais bases, são confusas por extensão. Não seria diferente com o sexo. Outro dia, escrevi que, se você quer colocar a casa em ordem, deve começar limpando o porão. Quando cuidamos do Inconsciente, tudo em nossa vida se torna mais harmônico. A começar pelo sexo. É que quando, por meio de uma prática de nossa opção, purificamos nosso Inconsciente e o aproximamos do mundo diurno, o sexo deixa de ser uma coisa atribulada, confusa, violenta, prazerosa e cruel ao mesmo tempo. A maioria de nossos orgasmos é o ápice do nosso prazer e, ao mesmo tempo, da nossa angústia. É que, em verdade, não enxergamos o outro, não realizamos com o parceiro uma troca pura. Ficamos presos à nossa própria ferida. Aquilo que expurgamos um pouco e que encontrou vazão pela supressão daquilo que Freud chamava de “Ich” não é todo o Inconsciente, mas só os nossos traumas, e dores, e angústias. Depois que colocamos tudo isso pra fora e olhamos de frente. Vemos com horror que isso tudo faz parte de nós e nos deprimimos; porque o sexo aí tem um pouco de culpa, e crueldade, e horror; instintos deturpados, enfim. Como homem, por muito tempo fiquei angustiado com meu desempenho e isso já é o começo de um sexo ruim, que não encontra qualquer transcendência. Hoje, meninos de 18 anos tomam viagra para impressionar! Eu, depois que mergulhei fundo em mim, que mexi naquelas coisas fétidas que guardava no porão e as joguei fora, mudei meu modo de fazer amor. O sexo se tornou a extensão de toques sagrados que começam pelas mãos, o beijo, o carinho, e, por fim, a SANTA CORPOREIDADE, a reintegração no Uno, o diagrama do Tai Chi reconfigurado. Há, inclusive, a possibilidade de não acontecer... E, no momento do gozo, sinto o coração pulsar, por meio do pênis, dentro da outra pessoa. É uma conexão quase como nenhuma outra. Já não me sinto pesado, como antes, neste momento, e sorrio leve, como se levasse nos lábios uma flor. Hoje, sinto que posso inclusive atravessar longos períodos entregue ao celibato. O mais importante é que além de tudo, depois de tudo, como diria o Roberto Carlos, o maior prazer é ofertar a minha paz. E dormir abraçado; confiando.
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