Uma flor quando desabrocha é um milagre, mas ver um ser humano desabrochar é uma emoção para a qual ainda não existe palavra. A gente vai dando tempo, carinho, atenção – sobretudo atenção – retirando as larvas, os pulgões, as formigas cortadeiras e, então, um belo dia, a flor desabrocha lá de dentro do coração e nem a planta crê que era capaz de produzir uma flor tão bonita.
Hoje eu também aprendo muito com o jardim; mas, durante muito tempo, aprendi só com os bichos. Peguei muitos bichos na rua, sabe, e, na minha profissão, também vi muitas crianças largadas. Quando você pega um gato abandonado, ele chega inseguro, assustado, tem medo de tudo e, principalmente, quer agradar demais. Por medo de ser judiado, descartado mais uma vez, ronrona demais, se esfrega o tempo todo na gente, quer fazer de tudo pra ser aceito e acaba até enchendo um pouco o saco. A paciência é a maior virtude daquele que cuida. Aí, com o tempo - essa é uma verdade esquecemos: tudo demanda tempo –, a atenção (sobretudo atenção) e o cuidado, o bichinho vai ganhando confiança, se sentindo seguro, em casa. E aí, um belo dia, a gente vê o gato verdadeiro, que é a beleza do gato normal elevada à enésima potência - a flor que desabrochou. Com as pessoas acontece igualzinho. Quando a pessoa desabrocha, ela rejuvenesce, o rosto fica leve, há no olhar a generosidade de quem voltou a ser si mesmo, o bem transparece em cada uma de suas atividades, ela se torna criativa, brincalhona e... SORRI. Esse sorriso é a flor da pessoa. E, olha, a gente que acompanhou o processo desde o começo, que plantou a semente, cuidou das larvas ou carrapatos, teve paciência nos dias ruins, sente-se aí recompensado. Foi uma longa jornada, mas como valeu!
Bom dia, amigos e amigas.
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