quarta-feira, 1 de julho de 2020

SALVEM O BRECHERET

Das outras estátuas e monumentos não falo, mas salvem o Brecheret! Destruir uma escultura não apaga a História. Os Bandeirantes existiram e é preciso discutir o que eles foram de fato. Agora, depredar uma obra de arte não nos torna diferentes daqueles que queimam livros por discordar de seu conteúdo; ainda mais quando se trata de uma escultura altamente simbólica, que reconstrói e atualiza em nosso país os procedimentos técnicos ligados à arte de esculpir, incorporando inclusive elementos da arte indígena marajoara, e que foi produzida, durante 33 anos, por aquele que é, talvez, junto a Aleijadinho, o maior escultor do país. A obra apenas louva o bandeirantismo ou o coloca em discussão? É preciso que sejamos menos fascistas – para não dizer toscos - que o monstro que combatemos. E foi sempre o autoritarismo que, em nome de um bom propósito, destruiu a arte com a qual não concordava. Estado Islâmico e Talibã puseram abaixo monumentos milenares porque não estavam de acordo com o que eles imaginavam ser o Bem. A Igreja católica proibiu e queimou livros. O Nazismo fez o mesmo com o que eles chamavam de arte degenerada, ou excessivamente judaica. Discos de rock foram queimados dos anos cinquenta até o final da década de noventa. O fascismo não é uma abstração, não está lá, distante, preso a um sistema de governo ou a um período histórico. Pelo contrário, ele está infiltrado em nossas ações mais cotidianas e, tão importante quanto combatê-lo na política, é combatê-lo em nosso próprio coração. Como diz o ditado, de boas intenções o inferno está cheio💜

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