terça-feira, 7 de julho de 2020

DAS HOMENAGENS PÓSTUMAS

Seria deslumbrante se, ao invés dos mortos, a gente começasse a homenagear os vivos. Talvez não consigamos, por conta do ego. Se alguém faz algo imenso, pelo menos uma vantagem havemos de ter: a de estarmos vivos; enquanto que o pretenso gênio está bem morto e enterrado; sendo reconhecido, de fato, pelos vermes. Por um dia, o poeta marginal tem sua obra visitada; o músico esquecido tem sua canção, antes motivo de chacota - lembro Belchior - tocada. Talvez a loa não seja sequer ao defunto, mas a nós mesmos. Como se disséssemos ao vizinho:
- Olha como sou cool e culto! Eu conhecia tudo de sua obra!
Todas as homenagens. Ao morto.

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