No monumento às Bandeiras, é um índio quem faz todo o trabalho. Embora, na parte da frente da peça, um aglomerado de figuras masculinas pareçam se esforçar para puxar a canoa, tudo é jogo de cena. Na verdade, a corda está frouxa e desconectada do barco. A única figura que se esforça de fato é o índio, na parte de trás. É um trabalho irônico. O escultor parece nos dizer: olha, embora os outros fiquem com a fama, quem fez todo o sacrifício foi o índio. Em arte, forma é conteúdo. A incorporação profunda de elementos da arte marajoara reafirma a importância maior do povo indígena na obra e na construção de nosso país. Com sutileza e inteligência, Brecheret faz uma crítica contundente àquilo que, segundo o patrocinador, deveria louvar. Trinta e três anos de trabalho. Obra maior de nosso maior escultor - junto a Aleijadinho. O monumento em verdade é o contrário do que deveria ser. Anti-monumento. Calma🌻
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