quarta-feira, 1 de julho de 2020

LIVES

Nem todos os meus heróis morreram de overdose. Os que ficaram estão bem velhinhos; os cabelos brancos, as mãos trêmulas, mas são de uma dignidade! E alegria! Ainda dançam forró, e tocam sanfona, e abrem o rosto em cataventos de sorrisos. A voz mais maravilhosa do mundo agora falha vez em quando. Em outros momentos, a gente pensa que ela não vai dar conta e ela encanta mais; com seu poder de eternidade, abre as asas tal qual condor latino-americano. Linda! O outro traz em si Gonzaga, e Bob, e o amigo da vida toda. Quase oitenta anos! Há em ambos a serenidade de quem combateu o bom combate e semeou amor na manhã do cão. Pode a fragilidade nos fazer mais belos? É permitido ao homem roubar à cana a doçura do mel? Gigantes, ambos já nada precisam provar. Sempre souberam muito e ainda aprenderam mais: inteireza-integridade; o velho tem o mesmo sorriso que o menino. A vida? Travessia que falta. Alguém, por favor, faça com urgência um filme chamado Morro velho! E viver não é ofício fácil, mas me enche de júbilo ser conterrâneo e contemporâneo de Gil e Bituca. Só isso já valeria toda a jornada. E são brasileiros! Os dois! Isso é que é ser brasileiro, porra! Como pode ser bonita a nossa gente quando canta🌻

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