quarta-feira, 1 de julho de 2020
ROUBAR À CANA A DOÇURA DO MEL
Tudo muda o tempo todo no mundo, mas chega momento na vida do casal em que um declara ao outro: “quero ter um filho seu! Não importa o que você venha a fazer; o que foi até aqui, já me conquistou de tal modo que quero você na minha vida”. No filho, o casal estará para sempre junto; o momento de amor se eternizará; mas não de maneira estática. O filho é criação, amor em devir: ser sendo, êxtase. O pai é a tese; a mãe, a antítese; mas o filho não é o pai nem a mãe, ainda que seja ambos: síntese-surfista; o filho será singular, único, independente; renovará, em nossa velhice, o movimento do mundo. Ainda que a união acabe e o amor se deforme, é preciso respeitar no filho o parceiro presente: a sobrancelha grossa, emendada; a mandíbula firme; a teimosia; um certo jeito de olhar, ou ficar em silêncio. Atenção, é preciso reconhecer na filha o momento em que é a parceira quem fala e nos enraivece além da conta; é preciso perdoar na filha aquilo que não aceitávamos na amante. Aquele que vem nos obriga a sermos melhores, mais generosos, tolerantes, amorosos. O divórcio é sempre doloroso, mas não é o fim do mundo. Quando há filhos, é preciso que cada um passe por cima do orgulho e deixe de lado a mágoa, pelo bem do que cresce. Se um puxa de um lado e o outro do outro, o filho enlouquece. As crianças nos obrigam a aceitar o outro em sua imperfeição. E só dão trabalho nos primeiros cinquenta anos, depois fica mais fácil😱. E, se um dia o neto vier, com ele renascerá a lembrança do instante em que todos éramos crianças e, como borboletas, brincávamos de amor pelo jardim, em estado de plena canção🌻
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Um comentário:
Amei
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