Para Nietzsche, o cosmos é um jogo entre forças ativas e
reativas. Esta é uma tradição que vem desde a Grécia antiga. Os gregos,
de modo geral e não só os espartanos, eram um povo bélico. Nietzsche, em
sua eterna pendenga com o cristianismo, valoriza as forças ativas; às
quais, no âmbito humano, buscam afirmar seu valor e sua diferença:
pensemos no herói Aquiles. No polo oposto, estão as forças reativas,
cuja força consiste em seu poder de desintegrar as forças ativas e
gerar, naqueles que são canais para tais forças, a má consciência. Para
o filósofo alemão, este era o grande trunfo do cristianismo... E,
contra a máxima: “bem aventurados os pobres porque deles é o reino dos
céus.” Nietzsche escreve: “é preciso proteger os fortes dos fracos.”
Na China antiga, os sábios comiam arroz e também enxergavam o universo
como um jogo entre duas forças: yang e yin, que não são necessariamente o
masculino e o feminino, mas dois princípios opostos que, de algum modo,
contêm um ao outro em si: dia e noite, claro e escuro, calor e frio,
prótons e elétrons... À diferença de grande parte dos filósofos
ocidentais, os quais enxergam o mundo e a natureza como uma guerra, vide
Schopenhauer, os sábios chineses viam um princípio harmônico entre os
dois peixinhos do diagrama do tai chi (taiji). O peixe claro tem o olho
escuro e o peixinho escuro tem o olho claro. A meia noite guarda em si a
luz do dia que virá e o meio dia já é o começo da tarde. A mescla entre
o preto e branco dos peixes dá o cinza... E o cinza tem muito mais que
cinquenta tons.
É preciso definir quem está certo e errado?
Adotando o próprio perspectivismo nietzschiano, creio que ambos acertam em cheio, ainda que isso seja paradoxal.
A filosofia é só um ramo da literatura fantástica.
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
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