Já falei aqui sobre meu primeiro contato com a sexualidade, por meio de uma revista, encontrada há tempos, no lixo. Há algo muito errado no modo como nossa sociedade lida com o sexo e a gente só pode mudar isso junto, conversando. Enquanto nos livros, revistas e demais publicações voltadas às meninas, o sexo aparece como o resultado de um jogo de sedução entre uma mulher e uma espécie de príncipe; os meninos vão aprendendo daqui e dali, com os amigos, na maior parte das vezes por meio da pornografia. Então, enquanto as meninas esperam fazer amor, os meninos creem que se espera que eles façam sexo. Claro, há toda uma corrente de força e poder masculino - bem como do feminino - que se liberta no sexo. O corpo sabe, naturalmente; e tudo o que é natural é bom e é belo. Não é disso que estou tratando; mas do fato de que, para os meninos, há uma dissociação entre amor e sexo. E aí, quando o sentimento mais poderoso que pode existir entre seres humanos faz visita, não sabemos muito bem o que fazer; porque o amor é ternura, ânsia de cuidado e o sexo é a maior expressão de amor possível; por outro lado, há a imagem pornográfica, a insegurança masculina e a competição patriarcal, a dolorosa pergunta interna: e se outro for e fizer melhor que eu? A gente segue medindo as genitálias a vida inteira; obcecados pela performance, quando bastaria ser quem somos, ouvir o corpo que nos acolhe. É preciso que se diga: quando há amor, vai amor também aí, no meio dessa confusão toda. Depois de tanto tempo, sinto vontade de pedir perdão às companheiras que caminharam ao meu lado durante uma parte da jornada. Acho que fiz o melhor que podia, mas perseguia, inconsciente, uma meta e o gesto de fazer amor é um acontecer, um entregar-se, doar e receber; não é um jogo de futebol, ou uma corrida na qual temos de ser o melhor do mundo. O duro é que quando um menino percebe isso, já é homem. Foi ferido e feriu muita gente. Às mulheres que se deitaram algum dia comigo, peço perdão se soei artificial, se não fui suficientemente delicado. Eu não sabia o que fazia. Ainda estou aprendendo a viver e a amar🌻
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