sexta-feira, 19 de junho de 2020

O amor não me deixa morrer

O amor não me deixa morrer
E me ancora neste mundo medíocre
E exige que eu suporte essa gente
mesquinha, hipócrita, cafona, ignorante
E não falo dos outros, falo de nós
De nossa burrice, desse ruído sem alma
Dessas palavras ocas, fúteis, vaidosas
O amor não me deixa sumir
Porque não há amor sem responsa
Nem responsa sem renúncia:
Abro mão do suicídio
Do mar
Da faca
Abro mão.
Há em mim um cansaço de tanto
Um esgotamento de séculos e horas
O amor não me deixa
E eu continuo apesar da vontade de nada.

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