sexta-feira, 12 de junho de 2020

NÃO HÁ SOMBRA AO MEIO DIA

Mora em mim uma besta
Que se revela ante a luz transversal
Se fujo, ela me persegue
Se a ignoro, ela se avoluma
Se se sente ofendida, ela agride
A besta é a antípoda do anjo.
Mora em mim um anjo
O qual não depende de elogio
Se fulano cai, ele estende a mão
Se cicrano agride, ele abraça
Se beltrano odeia, ele estende amor na varanda
O anjo é a utopia do eu.
Se habito o anjo,
A besta ruge
Se me entrego à besta,
O anjo chora
Mas, se me instalo na luz
É a própria luz quem se diz de meu vazio:
A sombra se dissolve quando o relógio marca meio dia.

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