sexta-feira, 5 de julho de 2019
TAMBORES, TAMBORES, TAMBORES
TAMBORES; e eu acordei pensando aqui nessa macumba de amor. Nesse encantamento que é dormir embolado com alguém e já não saber quem é quem. E acordar, depois, sem saber onde um começa e outro termina. E vi que tudo começou com um SIM, Clarice. É pelo amor e sua consumação no corpo, o sexo amoroso, que se chega ao mundo. Devagarinho, feito nave em órbita e depois depressa, depressa; caindo-caindo-caindo-rápido pela atmosfera da Terra... Lá de longe, alguém emite o sinal; essa energia do SIM ao universo. E, à distância, as almas se tocam, depois os dedos, as palavras, as bocas e, por fim, aquela possibilidade de sentir meu coração batendo no ventre da outra pessoa. E minha alma se entrega toda-inteira. Já não quero ser eu, se não for pra estar dentro do outro. E digo sim! Sou seu, todo e inteiro, com todas as minhas inseguranças, e medos, e demônios, e virtudes e esse meu jeito desastrado de amar, e sofrer, e fazer graça depois do amor. E a mulher, com seu corpo que é todo colo, responde SIM também: vem, meu menino, eu te aceito como és; mesmo os teus demônios encontram cama em mim. Vem ficar dentro. Faz o que quiser porque eu confio na tua alma latejante e em tudo o que dói dentro desse teu eu maluquinho. E as vontades coincidem, porque aquilo que um quer doar, é exatamente o que o outro quer receber, vice-versa também. Imagino grandes aventuras... Minha ascendência de índio na mata... Guerreiro-menino correndo pelado, entrando no regato; violento e másculo em caçadas, buscando carne crua na natureza. Meu pau dobra de tamanho. Eita homão da porra que eu me sinto! Bichos selvagens. Parceria. Corre comigo que eu corro contigo. Porque se tenho esse coração de potro selvagem, tu tens esse ventre de égua no cio que me engole com despeito. E é tão bom cavalgar mais calmo, já sem fome, depois do décimo primeiro orgasmo. Tua presença de dentes e crina e boca iluminando o novo dia que chega cheio de sol e luz. Montes Claros! Horto! Que quero pro futuro? Atravessar o fundo do amor e - do outro lado do incomensurável, em ritual - tocar por gosto até o fim do Eterno estes tambores teus. Tambores; e um coração apaixonado. Seja o que for; eu deixo sim!🌻
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário