Se já não encontro casa em mim
Que seu corpo seja meu abrigo
Sou inseguro
Não caibo no mundo
As pessoas que caminham pelas ruas metem-me medo
Sinto ser tão pouco esse eu sem âncora
Então, dê-me essa chance de ser simples
E cantar coisas simples:
Um cachorro amigo, uma gata no quintal,
As crianças descendo a rua em carrinhos de rolimã.
Uau! Onde foi que eu me perdi de mim, mulher?
Onde foi que comecei a fingir para agradar aos demais?
Quando foi que me aprisionei no julgamento deles e deixei de crer nas flores?
Você é um monstro! – disseram-me e acreditei.
É vertigem o que essas vozes me causam.
Só entendo as lutas pequenas,
Dou conta não.
Mas quero tocá-la de leve, irmã,
Como tocaria um fantasma.
O Universo não tem teto e é menor que meu desabrigo.
Peço colo e carinho; nada exijo.
Sou desses que exigem não.
Deixa-me ser no teu seio,
Que eu te deixo mudar meu destino.
Vela meu sono porque sou insone
E só consigo fechar os olhos quando alguém vela por mim.
Sinto tanta culpa que não consigo parar de pedir des-culpas.
Recebe minha pele sem choque
Assopra meu coração incandescente
Seja delicada porque venho quebrado
Cuida de mim
O inferno não é quente, é gelado.
O inferno é esse tanto-faz glacial.
O inferno é já não poder sentir o que quer seja.
Segura a minha mão para que eu não me afogue.
E me ensina o caminho de casa outra vez.
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