quinta-feira, 18 de julho de 2019

COMO SE FAZ PRA VOLTAR PRA CASA?

Se já não encontro casa em mim
Que seu corpo seja meu abrigo
Sou inseguro
Não caibo no mundo
As pessoas que caminham pelas ruas metem-me medo
Sinto ser tão pouco esse eu sem âncora
Então, dê-me essa chance de ser simples
E cantar coisas simples:
Um cachorro amigo, uma gata no quintal,
As crianças descendo a rua em carrinhos de rolimã.
Uau! Onde foi que eu me perdi de mim, mulher?
Onde foi que comecei a fingir para agradar aos demais?
Quando foi que me aprisionei no julgamento deles e deixei de crer nas flores?
Você é um monstro! – disseram-me e acreditei.
É vertigem o que essas vozes me causam.
Só entendo as lutas pequenas,
Dou conta não.
Mas quero tocá-la de leve, irmã,
Como tocaria um fantasma.
O Universo não tem teto e é menor que meu desabrigo.
Peço colo e carinho; nada exijo.
Sou desses que exigem não.
Deixa-me ser no teu seio,
Que eu te deixo mudar meu destino.
Vela meu sono porque sou insone
E só consigo fechar os olhos quando alguém vela por mim.
Sinto tanta culpa que não consigo parar de pedir des-culpas.
Recebe minha pele sem choque
Assopra meu coração incandescente
Seja delicada porque venho quebrado
Cuida de mim
O inferno não é quente, é gelado.
O inferno é esse tanto-faz glacial.
O inferno é já não poder sentir o que quer seja.
Segura a minha mão para que eu não me afogue.
E me ensina o caminho de casa outra vez.

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